A necessidade de inovação no ensino do Direito

Estadão • 10 de fevereiro de 2020

Por: Luiz Claudio Lopes Moreira

Qual advogado da Geração X que não se lembra:

– do lendário mimeógrafo?

– da máquina de escrever mecânica?

– da utilização do revolucionário papel carbono para fazer um contrato com duas vias?

– da máquina de escrever elétrica com corretivo, que ajudava na correção ortográfica nas petições dos advogados?

– das barulhentas impressoras matriciais?

– das lousas escolares e do giz de escrever utilizado pelo professor?

– das fontes de pesquisas físicas, tais como as famosas enciclopédias Barsa, Conhecer e das disputadas Revistas dos Tribunais, compêndio das decisões dos tribunais superiores, utilizadas pelos profissionais do direito para suas consultas e remissões na elaboração de peças processuais?

– do indefectível Vade Mécum Jurídico?

– dos autos dos processos físicos, pesados, volumosos, de complicado manuseio e transporte pelos advogados e estagiários?

– do relacionamento com os clientes através de cartas enviadas por correio?

Com a revolução digital, o advento da internet, dos smartphones, dos palm tops, notebooks, da telefonia celular 4G e da banda larga, o mundo dos advogados mudou, como todo o resto.

Os advogados da Geração Y estão sempre conectados; procuram informação fácil e imediata; preferem computadores a livros; preferem e-mails a cartas; digitam ao invés de escrever; vivem em redes de relacionamento; compartilham tudo o que podem; e estão sempre em busca de novas tecnologias.

Entretanto, na parte educacional ainda convivem com as salas de aula tradicionais (em que pese algumas já com modernas lousas interativas eletrônicas), com aulas presenciais, mas já existem algumas ofertas de cursos acadêmicos ou de graduação on line, seja ao vivo ou gravado.

Começam a conviver com a revolução digital no seu dia a dia profissional, com o advento do processo digital e o fim dos famosos autos do processo físico, que nada mais era do que um amontado de folhas de papéis numeradas, onde uma folha em branco, para ser reconhecida juridicamente como em branco, precisava ser carimbada com a inscrição “em branco”, o que para o leigo, deixava de estar em branco.

E o que esperar para a Geração Z de advogados?

As gerações anteriores se conectavam com o seu mundo através de um computador de mesa, a nova geração passou a ficar constantemente disponível e conectada através de dispositivos móveis.

Em razão da mudança radical de comportamento e de relacionamento social, a noção de grupo e ou sala de aula passa a ser virtual.

Os advogados da Geração Z dispõem de uma conexão portátil e permanente em qualquer lugar, têm forte senso de responsabilidade social, preocupação com o meio ambiente e a sustentabilidade do planeta.

A mudança de comportamento, a evolução da tecnologia e a simultaneidade no uso dos dispositivos eletrônicos, faz surgir um novo profissional do direito, o advogado 4.0.

Já é uma realidade a utilização de inteligência artificial nos escritórios de advocacia e nos tribunais, de forma a acelerar os trâmites processuais e a conclusão de cada ação.

Mas como ensinar, disseminar conhecimento, compartilhar experiências, para um advogado 4.0, atendendo ao seu padrão de consumo e de forma sustentável?

Através das revolucionárias edtechs, que são startups atuando na mudança da educação, sendo no mundo jurídico conhecidas como lawtech e legaltech, que é a unificação das últimas tendências tecnológicas para criar um processo de educação online mais dinâmico, atrativo e efetivo.

A oferta dos produtos será totalmente sustentável, pois não haverá sala de aula, necessidade de deslocamentos de alunos e professores, como também impressão de livros, apostilhas ou outros materiais físicos.

Atentas ao comportamento do aluno 4.0, que busca soluções on demand para sua formação, capacitação e aperfeiçoamento na profissão, as edtechs ofertarão o conteúdo educacional no formato de “infoprodutos”, cujo material é acessível em arquivos digitais(streaming), de forma rápida, simples, pessoal, em qualquer lugar e horário.

O conhecimento estará na palma da mão do advogado 4.0.

*Luiz Claudio Lopes Moreira, advogado (formado há 35 anos), sócio do escritório advocacia Alves Moreira & Advogados Associados. Coordenador pedagógico da Federal Law











Notícia publicada pelo Estadão, às 08h00, no dia 8 de fevereiro de 2020, no endereço eletrônico https://politica.estadao.com.br/blogs/fausto-macedo/a-necessidade-de-inovacao-no-ensino-do-direito/?amp


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