Mesmo com a revolução digital, muitos jovens ainda querem ser advogados e gestores

Valor Econômico • 24 de janeiro de 2020

Relatório da OCDE aponta que adolescentes citam profissões criadas no século 19 e 20 e cargos que correm grande risco de serem substituídos pela automação

Por Carolynn Look, Bloomberg

Os adolescentes não estão com imaginação suficiente para escolher suas ambições de carreira. Segundo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OECD), os adolescentes indicam uma lista bastante curta de ocupações para seus futuros profissionais.

As grandes mudanças vistas no mundo do trabalho, conduzidas pelo desenvolvimento da tecnologia e transformação digital, estão tendo pouco impacto nas expectativas profissionais dos jovens, de acordo com um relatório apresentado no Fórum Econômico Mundial em Davos.

“ É uma preocupação que mais jovens estejam escolhendo o trabalho dos sonhos a partir de uma pequena lista com as ocupações mais populares e tradicionais, como professores, advogados e gerentes de negócios”, disse em comunicado Andreas Schleicher, diretor de educação e competências da OECD. “Muitos jovens estão ignorando ou não estão conscientes de novos tipos de trabalhos que estão emergindo, particularmente como resultado da digitalização.”

O relatório cita uma pesquisa feita com jovens na faixa dos 15 anos mostrando que as ambições de carreira se estreitaram nas últimas duas décadas. Quase metade dos meninos e meninas de 41 países disseram que esperam trabalhar em apenas uma de dez ocupações até os 30 anos. Esses cargos têm origem, majoritariamente, nos séculos 19 e 20, como médicos, professores, veterinários, gerentes de negócios, engenheiros, oficiais de polícia e advogados.

“Eu espero ser uma advogada porque eu gosto de dinheiro e de ajudar as pessoas”, diz uma das citações do relatório, atribuída a Chloe, uma jovem britânica de 16 anos. O relatório também mostra que 39% dos trabalhos que os adolescentes querem fazer correm o risco de serem substituídos por máquinas nos próximos 10 ou 15 anos. Essa proporção é particularmente alta entre aqueles que não são nativos da língua inglesa e que não são dos países nórdicos. No Japão e na Eslováquia, por exemplo, metade dos trabalhos que os jovens almejam estão em risco de extinção. “Muitos jovens, principalmente meninos e adolescentes com repertório desfavorecido, estão indo atrás de trabalhos que correm o risco de serem automatizados”, disse Schleicher.

O relatório ressalta o perigo de que o mercado de trabalho possa se constituir em uma oportunidade perdida para muitos jovens, arriscando descontentamento em um mundo já desarticulado pelo populismo ressurgente. Também destaca como os países especializados em setores tradicionais poderiam ficar para trás na lacuna de novos talentos e inovação.

Enquanto muitos dos principais trabalhos listados não estão vulneráveis à automação, alguns não são muito acessíveis. As aspirações de carreira de muitos jovens estão frequentemente desalinhadas com a educação e as qualificações necessárias para alcançar essas posições, diz a OECD. A ambição de Chloe de ser uma advogada, trabalho que normalmente requer anos de estudo universitário, é um exemplo. “Meu plano depois que eu deixar a escola é conseguir um trabalho como aprendiz.”









Notícia publicada pelo Valor Econômico, às 05h02, no dia 24 de janeiro de 2020, no endereço eletrônico https://valor.globo.com/carreira/noticia/2020/01/24/mesmo-com-a-revolucao-digital-muitos-jovens-ainda-querem-ser-advogados-e-gestores.ghtml


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