Empregos do futuro serão intensivos em educação

O Globo • 22 de outubro de 2019

Desafios para qualificação dos trabalhadores é um dos temas do Seminário Pelo Futuro do Trabalho, que a CNI realiza em parceria com centrais sindicais dia 24 no Museu do Amanhã

Por: CNI

Toda vez que a indústria passa por um grande salto tecnológico, o pânico de que os humanos sejam substituídos por máquinas volta com força total. Com o atual avanço de tecnologias digitais, o receio é ainda maior, pois a quarta revolução industrial implica em máquinas que conversam entre si, que aprendem com a experiência e se tornam capazes de tomar decisões.

O advento da indústria 4.0 é uma dessas transformações que demandam de empresas e do poder público a discussão e construção de políticas que ajudem o país a aproveitar as oportunidades que surgirão para a indústria. “Uma boa transição para as novas formas de produção, em que imperam o conhecimento e a inovação, é imprescindível para gerar valor e aumentar a produtividade e a competitividade do Brasil”, diz o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Braga de Andrade.

Na avaliação do diretor-geral do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) , Rafael Lucchesi, o medo das implicações do início da era da indústria 4.0 é natural, mas é preciso agir para aproveitar as transformações em curso e garantir o lugar do Brasil e da sua mão de obra no futuro. O caminho, diz ele, é investir em educação.

— Nós estamos vivendo o início de uma nova era, em que um conjunto de novas tecnologias: a Inteligência Artificial, o Big Data, a Internet das Coisas, a Indústria Aditiva e toda a parte de automação, robótica e digitalização estão mudando tudo ao nosso redor. Todas as ocupações humanas serão fortemente impactadas — diz.

Rafael Lucchesi acredita que milhões de empregos que envolvam tarefas repetitivas serão eliminados pela ascensão dos algoritmos de automação. Entretanto, novos empregos vão surgir para quem dominar o conhecimento e souber usá-lo para analisar dados, planejar, realizar e resolver desafios em conjunto.

— Vários estudos já apontam para este cenário. Segundo números do Fórum Econômico Mundial, 75 milhões de empregos serão destruídos nos próximos anos, mas outros 133 milhões serão criados — cita.

Entre os grandes desafios para a entrada do Brasil na indústria 4.0 estaria a defasagem do ensino no país, segundo o especialista.

— Precisamos dar mais ênfase à educação profissional no Brasil, como ocorre nos países desenvolvidos. No Brasil, temos um pequeno contingente de jovens que fazem educação profissional junto com o ensino regular. A agenda é dupla: precisamos ampliar a educação profissional e, ao mesmo tempo, melhorar a qualidade da educação brasileira, sobretudo no ensino médio, esses são os dois grandes desafios — avalia.

O Mapa do Trabalho Industrial 2019-2023, estudo realizado recentemente pelo SENAI para definir os cursos que oferece, apontou a necessidade de qualificar, nos próximos quatro anos, 10,5 milhões de trabalhadores em ocupações de base industrial. Entre as profissões que devem crescer de forma mais acelerada está a de condutor de processos robotizados, o que demonstra que as máquinas ainda precisarão dos homens para programá-las e operá-las.

— Os algoritmos de automação não vão mudar somente o chão de fábrica, mas tudo ao nosso redor. Vão mudar até a forma como vivemos e nossos hábitos cotidianos. As mudanças que já vemos hoje vão se intensificar — reforça Lucchesi.

Outro ponto enfatizado por ele é o papel central da inovação na agenda do século XXI, o que exige que o Brasil melhore seu ambiente de negócios com urgência e fortaleça políticas públicas na área.

— O Brasil deve atuar fortemente nesse sentido, para conseguir criar um círculo virtuoso de desenvolvimento. Isso é de grande importância, porque pessoas e territórios que estiverem mais afastados do domínio da tecnologia vão empobrecer — conclui.

O diretor do SENAI será um dos especialistas que vão participar, no próximo dia 24, do Seminário Pelo Futuro do Trabalho , no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro. Ele fala no painel O Trabalhador do Futuro e sua Formação. O evento, que ocorre das 8h às 12h30, é uma parceria da CNI com as seis maiores centrais sindicais do Brasil – CUT, Força Sindical, UGT, CSB, NCST e CTB – e é gratuito. As inscrições podem ser feitas aqui .






Notícia publicada pelo O Globo, às 08h39, no dia 22 de outubro de 2019, no endereço eletrônico https://oglobo.globo.com/economia/empregos-do-futuro-serao-intensivos-em-educacao-24033544


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