Mudança de Mindset: uma nova forma de pensar a educação

• 01 de outubro de 2019

Por: Gabriel Mario Rodrigues

“A oportunidade de transcender os limites da imaginação com tecnologias como a IA é quase ilimitada, e o medo em torno disso é natural. Seria um grande retrocesso permitir que as forças do medo, do pessimismo e do atraso dominassem o potencial de transformação que tem o seu uso.” (Profa. Luciana Santos – Senac/SP)

Neste ano o Semesp comemora os 40 anos de sua fundação e ao mesmo tempo exibe sua maioridade realizando a 21ª edição do Fórum Nacional do Ensino Superior Particular (Fnesp). Quem diria que a ideia proposta ao Semesp e à Anup pela professora Gilda Portugal Gouveia, então chefe de gabinete do ministro Paulo Renato de Souza, para mostrar as realizações das mantenedores brasileiras, alcançaria a magnitude atual.

Foram dois dias de proveitoso mergulho sob título “Mudança de Mindset: uma nova forma de pensar a educação”, tema de muita atualidade. As apresentações e os debates realizados por renomados especialistas internacionais e nacionais mostraram as transformações que o mundo passa e a nova configuração da aprendizagem que fazem repensar a maneira de atuar das instituições educacionais.

A palestra inicial, realizada em ambiente acolhedor e de aplausos, foi do historiador e filósofo Leandro Karnal. Sob o tema “Um Novo Olhar para uma Nova Realidade”, foram tratadas as habilidades inerentes ao novo líder educacional e como essas competências se traduzem em um mundo conectado e transformado pelas mudanças da 4ª Revolução Industrial. Para ele, o Brasil precisa desesperadamente de bons gestores educacionais e entre as habilidades inerentes ao novo líder educacional está a capacidade estratégica e a visão humanista.

Na saudação, o presidente do Semesp, professor Hermes Ferreira Figueiredo, enfatizou a realidade em que vivemos e a necessidade de repensar os modelos e formatos que vêm sendo adotados na educação. Uma mentalidade que precisa ser reconfigurada para podermos estabelecer novas atitudes, comportamentos, decisões e visões de mundo, envolvendo tanto a atual geração de gestores, professores e colaboradores, quanto os alunos das nossas instituições.

“Todos nós sabemos que o Brasil é um país de desafios continentais, em todos os aspectos. E todos nós sabemos que o sistema educacional ainda não logrou oferecer à população brasileira o acesso ao ensino superior necessário para a sua realização coletiva e individual. Só a mudança mental que é tema deste Fórum, poderá permitir às nossas instituições atenderem a padrões de qualidade cada vez mais elevados e socialmente inclusivos”.

Suas palavras norteadoras foram: “Ao contrário do que alguns tentam demonstrar, a tecnologia é nossa aliada. Ela está pronta para ajudar na formulação e implementação de projetos integrados, que garantam às instituições de ensino superior baixar custos em algumas áreas e investir em qualidade e inovação para a formação de jovens preparados para enfrentarem os desafios que virão com a revolução 4.0.” Seu brilhante discurso está aqui registrado.

O Prof. Eric Mazur, da Universidade Harvard, com bastante acuidade falou sobre o tema “Reconfigurando o MindSet Organizacional” e, em seguida, o assunto “O Valor da Educação para a Sociedade 4.0” foi tratado pelo Prof. Luis Alcoforado, da Universidade de Coimbra, complementado pela extraordinária exposição de Francisco Marmolejo, do Banco Mundial, que certamente detém um dos maiores bancos de dados sobre a educação no planeta. O painel foi realmente impressionante e, porque não, preocupante.

Ambos enfatizaram a importância da educação transformadora para a formação de pessoas e cidadãos éticos em uma sociedade interconectada e sem fronteiras. A educação de qualidade aliada às demandas de uma sociedade em constante transformação é condição para elevar os países a patamares mais altos.

Ainda no dia 26, foi exposto o tema “Ensino à prova de Robôs”, David Garza da Tec Monterrey e Conrado Schlochauer, fundador da Teya. O programa completou-se com a tarde de autógrafos do lançamento do livro coletânea “Revolução 4.0 – A Educação Superior na Era dos Robôs”, assinado por Fábio Reis.

Não podemos deixar de comentar a apresentação do Ministro da Educação, Abraham Weintraub, que apesar de polêmica, expressou claramente suas ideias e as dificuldades que tem para resolver os desafios do MEC. Respondendo a um questionamento sobre o que o governo faria para recuperar o Fies (Financiamento Estudantil), ele afirmou, “O que o governo vai fazer por vocês? Nada, o governo não vai fazer nada. Vocês têm de se virar”.

É bom que ele saiba que sempre nos viramos e, a respeito do incrível índice de inadimplência que ronda o Fies, as instituições de educação superior (IES) não têm nenhuma culpa ou responsabilidade sobre o modus operandi das concessões do financiamento. Até aqui elas também são vítimas da incúria, negligência e descuido que foram tratados os contratos pelos órgãos financeiros. Mas ele foi incisivo e desafiou o setor a autorregular-se. “Nada impede que as entidades particulares criem um órgão para cuidar da abertura e avaliação de seus cursos”. As entidades representativas deverão imediatamente mostrar que são capazes de fazer. A proposta é boa e devemos imediatamente nos organizarmos para tornar-se realidade. Não queremos afrouxamento das regras e sim uma simplificação da maldita burocracia que é autofágica e que restringe toda a criatividade e inovação das IES.

Virando a página, entramos no dia seguinte para receber outra leva de ótimos palestrantes como José Claudio Securato, da Saint Paul Escola de Negócios e Bill Cummings da Universidade do Sul da Flórida, abordando “Aprendizagem Preditiva e Machine Learning”, como um case de sucesso. Eles apresentaram as IES que estão alcançando excelentes resultados utilizando modelos estatísticos, big data e análise preditiva para o aperfeiçoamento das práticas acadêmicas.

Com um tema mais centrado com eixo do Fórum, seguiu-se “As IES que Mudaram o Mindset Institucional” com os palestrantes Oto Roberto Moerschbaecher da Univates e Daniel Pedro Puffal, ambos exemplares das transformações atingidas no escopo.

O encerramento, com a assinatura “O Poder de Transformação da Educação” ficou por conta da consagrada professora Debora Garofalo, finalista do Global Teacher Prize, Angélica Natera, da Laspau e Ricardo Paes de Barros do Instituto Ayrton Sena, mediados pelo radialista Milton Jung.

O que é necessário registrar como excelente iniciativa, foi o HackLab onde durante o evento um grupo de alunos trabalhou com projetos focados na captação de alunos, na evasão, na retenção e outro como fazer o acompanhamento psicológico online dos alunos (prevenção contra o suicídio). O grupo vencedor foi a FABLAB que envolveu duas instituições: a UNIFEOBE e a Toledo de Presidente Prudente.

Parabéns ao Semesp, aos organizadores do evento e a todos que trabalharam para o sucesso do mesmo. Agora é voltar para nossas instituições e colocar em prática o que aprendemos. É bom caprichar porque a competitividade está a todo vapor. Conforme o presidente Hermes, “só a mudança mental poderá permitir às nossas instituições atenderem a padrões de qualidade cada vez mais elevados e socialmente inclusivos”.






Artigo publicada pela ABMES, no dia 1 de outubro de 2019, no endereço eletrônico https://blog.abmes.org.br/gmr-33/


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