EMI: o que é o inglês como meio de instrução e qual sua relação com a capacitação de professores?

ABMES • 26 de setembro de 2019

Por: Alberto Costa

Nos três materiais anteriores produzidos aqui para o blog da ABMES (A internacionalização do ensino superior fora do Brasil e o que podemos aprender com os cases de sucesso / Internacionalização no Brasil: o que podemos aprender com as universidades que já iniciaram o processo / Qual o primeiro passo para um projeto de internacionalização na Educação Superior?), nós citamos mais de uma vez uma variável em comum que é tida como essencial para que os projetos de internacionalização sejam implementados com sucesso. Trata-se do inglês enquanto um componente do programa de línguas que permite a comunicação para promover conexões globais para a cooperação acadêmica internacional. Essa geralmente é uma das maiores barreiras para que as universidades brasileiras, que têm o português como língua mãe, enfrentam para dar o primeiro passo, já que muitas delas recebem alunos que não foram preparados da maneira correta para dominar a proficiência.

E dentro desse cenário, uma prática que vem crescendo com rapidez no mundo, principalmente nos países que buscam a globalização por meio da educação bilíngue ou internacional, é o English as a Medium of Instruction (EMI). Em outras palavras, EMI é o uso do inglês para ensinar matérias acadêmicas em países ou áreas onde o inglês não é a primeira língua da maioria da população. As razões pelas quais instituições de ensino superior estão dispostas a implementar o EMI são várias: atrair estudantes internacionais, estar melhor posicionadas nos rankings universitários, dar aos estudantes a possibilidade de estudar no exterior, aumentar as possibilidades de carreira de estudantes e funcionários, etc.

A metodologia que o professor usa geralmente é o grande diferencial que faz com que toda a sala de aula engaje e queira aprender cada vez mais. É essa habilidade que vai permitir que o docente transmita seu conhecimento de uma maneira que fará com que os estudantes entendam e absorvam o que está sendo passado. E o mesmo vale para quando falamos em aulas ministradas em inglês. Não é suficiente colocar um profissional fluente para ensinar sem que haja uma base metodológica e um programa no qual ele possa se pautar e se apoiar.

É preciso ter em mente que lecionar em uma outra língua requer habilidades diferentes. Além de ter a proficiência, é necessário que o docente demonstre seguramente que:

  • sabe usar o inglês como meio de instrução com maior eficácia
  • é capaz de usar uma gama mais ampla de estratégias para envolver os alunos
  • consegue participar com mais confiança em atividades profissionais (seminários, reuniões, apresentações, tutoriais…) tendo o inglês como o meio de comunicação.

O início da transformação passa por um primeiro momento de formação continuada dos professores em torno dessa prática que cobre linguagem para preparar os alunos para aprender, para transmitir ideias e informações, para desenvolver habilidades de pensamento, para configurar e gerenciar atividades e para verificar a aprendizagem. E, aos poucos, é possível que o próprio quadro de docentes seja agente replicador do conceito para aqueles que acabam de chegar à instituição ou que estão no processo de adquirir fluência no inglês para acompanhar essa evolução.

Com isso concluímos que como em todo ciclo de educação, independente da sua esfera, a capacitação do corpo docente é um ponto chave que impulsiona qualquer tipo de transformação. E para a internacionalização, muitas vezes, ela pode começar dentro de casa sem aguardar que mudanças externas pautem o ritmo da mudança que queremos ver acontecer.




Notícia publicada pelo blog da ABMES, no dia 16 de setembro de 2019, no endereço eletrônico https://blog.abmes.org.br/emi-o-que-e-o-ingles-como-meio-de-instrucao-e-qual-sua-relacao-com-a-capacitacao-de-professores/


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