EaD cresce na educação superior privada

Extra Classe • 21 de agosto de 2019

O futuro próximo da Educação Superior, projetam representantes das comunitárias, é um modelo híbrido, no qual os alunos cumprirão parte dos créditos usando uma profusão de ferramentas tecnológicas


Arte: Bold Comunicação sobre foto FreePic.com

Com as rápidas e sucessivas mudanças pelas quais passa a Educação Superior no país, instituições comunitárias gaúchas buscam alternativas para manterem-se competitivas e implementam programas que abrangem reformulações curriculares, trocas na metodologia das aulas, aposta em cursos a distância, farto uso de tecnologia, terceirização da produção de conteúdos e alterações nas atividades dos professores. Apesar de uma espécie de movimento em bloco, há muitas e, às vezes, sutis diferenças tanto entre as propostas oferecidas pelas instituições como sobre a visão que elas têm a respeito do profissional que querem formar e sobre seu próprio papel na sociedade. Entre docentes, a expectativa é a respeito do impacto da transformação sobre as remunerações e o número de postos de trabalho.

O futuro próximo da Educação Superior, projetam representantes das comunitárias, é um modelo híbrido, no qual os alunos cumprirão parte dos créditos usando uma profusão de ferramentas tecnológicas, e distantes fisicamente dos campi. O desafio: manter o debate, a excelência na pesquisa e a produção de conhecimento que são a própria essência da academia.

A velocidade das mudanças é tal que, enquanto as instituições ainda estão colocando em prática as alterações nas graduações, a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) abriu em julho deste ano inscrições para que instituições interessadas (e que cumpram determinados critérios) se habilitem a oferecer na modalidade a distância pós-graduações stricto sensu (por enquanto, somente mestrados). A transformação no perfil das comunitárias que está em curso é mais uma etapa do processo pelo qual passa a Educação Superior nas últimas duas décadas. Uma marcha que começou com a pretensão de cumprir as metas estabelecidas nos sucessivos Planos Nacionais de Educação (PNEs) e seus consequentes incentivos à flexibilização na legislação que regula a criação de Instituições de Ensino Superior e à expansão da Educação a Distância (EaD). As duas medidas turbinaram a proliferação das chamadas instituições mercantis. Elas abocanharam uma parcela de estudantes que antes ou não tinham condições de acesso a instituições tradicionais ou se mantinham com dificuldade nas mesmas. As práticas acabaram por atingir instituições tradicionais e de ponta, as quais viram uma parte de seus prováveis futuros estudantes migrarem para opções que incluem, em conjunto ou não, ingresso extremamente facilitado, mensalidades com custo na faixa dos R$ 100,00, pulverização de instalações físicas, substituição de professores por tutores e de conteúdos próprios por pacotes desenvolvidos por empresas terceirizadas.

Oito das 15 comunitárias gaúchas (UCS, UCPel, Urcamp, Unicruz, Imed, La Salle, Uri e Fevale) possuem parceria com o Grupo A, o qual fornece soluções educacionais para Instituições de Ensino Superior. Sete delas com a Sagah, que produz conteúdos baseados nas chamadas metodologias ativas, onde o aluno é o principal responsável por sua própria aprendizagem. E a Feevale, por meio da Blackboard, que disponibiliza plataformas de aprendizagem a distância.


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Quase metade (48,6%) das vagas ofertadas nos processos seletivos de vagas novas para cursos presenciais é preenchida. Na educação a distância, um quarto está ocupado.

PUCRS busca alternativa ao modelo mercantil

Apontadas como responsáveis por proporcionar o acesso ao diploma sem, na prática, a qualificação equivalente, as instituições mercantis seguiram com um alto índice de ingresso, mas a preocupação da evasão as obrigou a remodelações. E elas seguem enfrentando por parte da concorrência questionamentos sobre o tipo de profissional que lançam em um mercado cada vez mais competitivo, que amarga índices altos de desemprego e no qual sobra mão de obra com qualificação baixa ou intermediária.

“Víamos que a educação online precisava acontecer. Mas o modelo não condizia com nossa forma de ser. Não consigo fazer, com a qualidade da nossa universidade, um curso a R$ 200,00, a R$ 150,00. O impasse era como avançar para a educação a distância sem perder qualidade, mas sendo sustentável. Além de todos os estudos, o nível dos alunos à tecnologia hoje permitiu o avanço. É possível fazer educação de qualidade online a um custo sustentável”, afirma a assessora da Pró-Reitoria de Graduação e Educação Continuada (Prograd) da PUCRS, Marion Creutzberg.

A PUCRS ainda não tem nenhuma graduação na modalidade EaD, que prefere denominar online. Concentrou o ensino a distância nas pós-graduações, onde estão matriculados quase 20 mil alunos. Mas pretende dar start no novo processo no segundo semestre, de forma a que todos os cursos de graduação presenciais tenham 20% online, com a perspectiva de chegar, no futuro, aos 40% previstos na legislação. A universidade também pretende finalizar em 2020 o projeto de EaD propriamente dito e, após os encaminhamentos necessários junto ao MEC, oferecer as graduações a distância.

Feevale: reformulação e reestruturação de currículos

Na Universidade Feevale, ao invés de online, o termo utilizado para definir o ensino a distância é digital. A Feevale Digital e a reformulação e reestruturação dos currículos dos cursos presenciais são, conforme o diretor de Novos Negócios da instituição, Alexandre Zeni, as duas grandes alterações na graduação. “Há uma mudança bem significativa no presencial. O aluno precisa de uma formação mais rápida e mais continuada”, resume.

As graduações ‘digitais’ passaram a ser oferecidas no verão, em módulos trimestrais, uma estratégia para coibir a evasão. O projeto é próprio, utiliza a plataforma da Blackboard e se propõe a ter um alinhamento estreito ao presencial. De acordo com Zeni, os professores e coordenadores dos cursos EaD e presenciais são os mesmos, nenhum dos polos é terceirizado (com exceção do localizado na China), e o conteúdo do digital é igual ao do presencial e desenvolvido pela instituição. Ao todo, são 17 graduações a distância nas áreas de Ciências Humanas, Sociais e Exatas. “Acesso a conteúdo e informação, todo mundo tem. O desafio é transformar isso em conhecimento e o conhecimento contribuir com a sociedade. As universidades particulares enfrentam problemas sérios, porque é difícil competir com mensalidades de R$ 100,00. Nos últimos três anos, a redução média de preço no Brasil foi de quase 40%. Na verdade, fazer EaD, com qualidade, é mais caro. Quando se consegue ganhar em escala, é que ele se torna mais barato”, explica o diretor.

Unijuí implanta projetos integrados

Na Unijuí, estão em implantação os programas integrados de formação, os quais incluem tanto mudanças nos projetos pedagógicos como nas metodologias e tecnologias utilizadas nos cursos. Desde o início de 2019, estão em vigor nas áreas de Engenharia (sete graduações), Educação (cinco licenciaturas) e Gestão (três graduações). Na EaD, a universidade busca uma recolocação. “A partir de 2019, são sete cursos na área de Gestão, um novo modelo, um novo ambiente virtual de aprendizagem, o Moodle, e um trabalho para tornar o Google for Education ferramenta auxiliar no processo de ensino e aprendizagem”, elenca a vice-reitora de Graduação, Cristina Pozzobon.


Foto: Igor Sperotto

Para o EaD, a Unijuí tem contrato de aquisição de conteúdo com a Univates, mas a proposta é própria, com diferenças em relação a tempo e projeto pedagógico. “O fato é que recebemos nascidos a partir do ano 2000. Há uma mudança no perfil de ingressante e isso exige que as instituições de Ensino Superior se modifiquem. Temos um público nativo digital, que se comunica, tem sonhos e aspirações diferentes. A internacionalização e a educação colaborativa já fazem parte deles quando chegam à universidade”, considera a vice-reitora.

UCS adere ao fluxo contínuo

NA UCS, neste ano passou a vigorar o processo seletivo em fluxo contínuo, com possibilidade de ingressos semanais, para todos os bacharelados e licenciaturas, com exceção de Medicina, Medicina Veterinária e Odontologia. A sistemática já estava em vigor desde agosto para os cursos tecnológicos de curta duração e os de EaD. Os currículos das 80 graduações passaram por reestruturação no ano passado, com a adoção de metodologias ativas de aprendizagem. A seleção para o fluxo contínuo é feita pela nota da redação no Enem ou pela de um dos vestibulares da UCS a partir de 2014 ou por meio de uma prova de redação. A adaptação a cursos em andamento usa um modelo pedagógico com currículos flexíveis e interdisciplinares, e aprendizagem com projetos e solução de problemas reais.

Para a pró-reitora Acadêmica, Nilda Stecanela, não há mais sentido atualmente em esperar seis meses para fazer um processo seletivo. Ela também afasta questionamentos a respeito do rigor na forma de ingresso, do risco de superficialização na assimilação de conteúdos, ou do nivelamento do conhecimento. “Estudantes, EaD ou presenciais, são todos da universidade. Quando você democratiza o acesso, vai receber alunos com diferentes trajetórias de formação. É papel da instituição situá-los em nível acadêmico e definir ações para sua formação plena. A UCS não tem polos alugados em um escritório, tem campi fora da sede. Nossos estudantes são vinculados a uma unidade e acessam um campus com um diretor, um coordenador de curso, um tutor, uma biblioteca, uma programação.”

“No Brasil, estamos um tanto atrasados em relação às transformações pelas quais a educação passa no mundo. Nossos jovens têm a informação na palma da mão, mas nossas salas de aula são parecidas com as dos nossos avós. O mundo mudou, mudou rápido, e a educação precisa acompanhar”, afirma o vice-reitor da Urcamp, Fábio Paz. Segundo ele, as metodologias ativas terão adesão crescente junto com os ambientes criativos, o pensamento computacional e o empreendedorismo. A Urcamp vem reproduzindo no RS o modelo da paranaense UniAmérica, de ensino por competência, e implementou a Graduação I 5.0, na qual o foco é que os estudantes sejam vinculados a projetos e apresentem propostas a demandas de organizações e comunidades. No ambiente virtual Sou I, estudantes, comunidade, empresas, professores e mentores cadastram demandas e experiências, e, em sala de aula, são desenvolvidas soluções e respostas. No segundo semestre, a universidade irá implementar a modalidade EaD em pelo menos 20 cursos.

O aumento do número de ingressantes entre 2016 e 2017 é ocasionado, principalmente, pela modalidade a distância, que teve variação positiva de 27,3% (de 843,2 mil estudantes para 1,07 milhão) entre esses anos. Nos cursos presenciais, o acréscimo foi de 0,5% (de 2,14 milhões de estudantes para 2,15 milhões).

Mais de 46% das matrículas de cursos tecnológicos já são a distância.


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O Mapa do Ensino Superior no Brasil 2019, do Semesp, divulgado em junho, apontou que, de 2018 para 2019, o número de polos de educação a distância no país passou de 15,5 mil para 22,8 mil. O anuário tomou como base os dados do e-MEC


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Entre 2007 e 2017, o número de ingressos subiu 19% nas graduações presenciais e 226% nas a distância

Entre 2007 e 2017, as matrículas nas graduações a distância aumentaram 375,2%. Nas presenciais, o crescimento foi de 33,8%

Professores também são afetados

No cenário que se desenha com a série de inovações tecnológicas em curso, duas questões concentram as preocupações dos docentes, segundo o diretor do Sindicato dos Professores do Ensino Privado (Sinpro/RS) Marcos Fuhr. “A primeira é com o impacto que esta nova realidade terá sobre a empregabilidade dos professores, porque a perspectiva é de que sobrem docentes, o que já se expressa em levas de demissões. As perspectivas são de redução da carga horária e remuneração. Há também casos em que professores recebem pagamentos menores para desempenhar funções de tutores”, exemplifica.

A segunda inquietação trata da essência da atuação dos profissionais. “É inegável que já vivemos em uma realidade na qual os professores, no desempenho de suas atividades docentes, são profissionais cada vez mais cerceados por esquemas e processos rígidos com prescrições categóricas e posturas determinadas por protocolos que engessam a atuação profissional”, alerta o diretor.

Conforme ele, o Sindicato vem insistindo com as representações das instituições para que as mudanças sejam “postas na mesa de negociação”, de forma a que existam regulamentações e definições de parâmetros que mantenham a valorização dos profissionais e evitem o rebaixamento da concorrência.

O número de matrículas em cursos de graduação presencial diminuiu 0,4% entre 2016 e 2017. Na modalidade a distância, o aumento foi de 17,6%, o maior percentual desde 2008

ENTREVISTA | BLASIUS DEBALD

Pró-reitor explica modelo híbrido

Foto: Divulgação

Em funcionamento desde 2013 em Foz do Iguaçu, no Paraná, quando a Associação Internacional União das Américas comprou a Faculdade União das Américas, a UniAmérica é uma instituição comunitária privada não confessional de ensino superior, sem fins lucrativos, que em 2018 alcançou a condição de Centro Universitário. A rápida expansão, sua autodefinição como ‘modelo radicalmente inovador de Educação Superior’ e as metodologias utilizadas chamaram a atenção de parte das instituições que buscam remodelagem em cursos e currículos. No RS, a UniAmérica trabalha com a Urcamp e a Unisc. O Pró-reitor Acadêmico da UniAmérica, Blasius Debald, falou ao Extra Classe.


Foto: Divulgação

Extra Classe – Quais são as mudanças mais significativas hoje na Educação Superior?
Blasius Debald
– A primeira é que, a médio prazo, entre cinco e 10 anos, vislumbramos um modelo híbrido, que faça um mix para atender a demanda. O híbrido deve superar tanto o EaD como o presencial tradicional. No caso do EaD, porque, à medida que os profissionais que se formarem começarem a entrar no mercado de uma forma mais massiva, perceberemos que não estão preparados para enfrentar os desafios profissionais. A formação EaD vai ser colocada em xeque. Porque não basta apenas ter um diploma. É necessário ser um profissional diferenciado para ocupar as funções e os postos de trabalho. E hoje o que o EaD mais enfoca é a questão do diploma: fácil e rápido. Esse profissional, creio eu, terá dificuldade em se colocar. À medida que ele não conseguir mais se colocar no mercado, começará a questionar o modelo EaD.

EC – E os cursos presenciais?
Debald
– O fato é que já não faz mais sentido o aluno vir cinco noites na semana à aula para ouvir um professor quando poderia estar muito bem pesquisando com ferramentas tecnológicas em casa. Na UniAmérica, tudo o que é conteúdo teórico o aluno estuda (chamamos de sala de aula invertida) antes de vir. Na sala, ele desenvolve atividades de aprendizagem que dão significado ao que estudou. Ele aplica fazendo, e isso em um projeto que normalmente vem de uma demanda real da comunidade. Ele estuda a demanda para apresentar uma solução. Não trabalhamos com disciplinas, não trabalhamos com aulas expositivas e nem com conteúdos expositivos. A matriz curricular é estruturada por competências. Nossos componentes curriculares chamamos de projetos. Incentivamos o aluno a aprender fazendo, se envolvendo com o processo de aprendizagem e atendendo a todos os conteúdos curriculares que precisa atender. Trabalhamos no desenvolvimento de competências. Nossos professores fazem a mediação do conhecimento, orientando o aluno. Ao mesmo tempo, quando o aluno tiver uma dúvida, ele explica a partir da dúvida.

EC – Dentro desta metodologia, o entendimento particular de um aluno sobre obras como ‘Leviatã’ ou ‘Raízes do Brasil’ é o preponderante? Se ele não ficou com dúvidas é porque teve condições de entender sem o auxílio do professor?
Debald
– Se não tiver nenhuma atividade em que esses autores precisem ser trabalhados, ele não vai ler por ler. A diferença do nosso modelo é a seguinte: ele vai ler Thomas Hobbes se em algum momento precisar usar a teoria de Thomas Hobbes para explicar ou aprender um projeto. No modelo tradicional líamos muitos clássicos, mas não sabíamos por que estávamos lendo. Na UniAmérica, o aluno de Engenharia, por exemplo, vai estudar Cálculo quando precisar aplicar na prática. Então, provavelmente, estudará Cálculo durante todo o curso.

EC – Isso não restringe o conhecimento?
Debald
– Nossos alunos ampliam sua capacidade de conhecimentos. Eles estudam teoricamente muito mais do que os alunos tradicionais. Mais ainda: já aprendem a prática profissional durante todo o curso. Quando nossos alunos concluem o curso, eles têm entre 30 e 40 projetos realizados em sua área profissional. Faz de forma acadêmica o que faz um graduado de forma profissional.

Após queda em 2016, o número de concluintes da modalidade a distância subiu de uma participação de 19,7% em 2016 para 21% em 2017. Na modalidade presencial, a participação é de 79%.

A taxa de evasão nos cursos presenciais foi de 25,9% em 2017. Na EaD, alcançou 34,3%.


ENTREVISTA | Marion Creutzberg

O desafio é a forma como se faz


Foto: Reprodução/YouTube

Marion Creutzberg, assessora da Pró-Reitoria de Graduação e Educação Continuada (Prograd) da PUCRS, fala a respeito do projeto sobre EaD, o cenário nas comunitárias de Educação Superior.

EC – Quais mudanças podem ser projetadas na Educação Superior para os próximos anos?
Marion Creutzberg
– Com certeza o futuro é de muita mudança. Ninguém sabe exatamente qual sua dimensão, mas é certo que o uso dos meios digitais ou da educação online está dado, não tem volta. É o que se vê no mundo inteiro, a educação online e outras formas de aprendizagem. Os cursos a distância com outras tecnologias e um design gráfico muito mais atrativo e interativo para os alunos permitiram uma retomada das propostas online por parte das comunitárias. É uma outra forma, mas na qual é necessário garantir a mesma aprendizagem. Esta talvez seja a questão mais importante. Aqui na universidade, temos nos ocupado bastante desta perspectiva um pouco mais global. O movimento PUC 360° traz junto a mudança na forma de ensinar, o aprender de outras maneiras e o aprender pela pesquisa também na modalidade online. Agora remodelamos todo o nosso processo de disciplinas online justamente dentro da perspectiva pedagógica nova de ensinar e aprender pela pesquisa, que exige aproximação de saberes. Além disso, enquanto que nos cursos presenciais não consigo reunir grandes grupos, ou muitas vezes tenho cursos com 60 alunos em sala e não consigo misturar alunos de outros cursos, na flexibilidade de horários do online imaginamos uma perspectiva muito favorável à pesquisa interdisciplinar.

EC – O futuro é o modelo híbrido? Como isso pode impactar na estrutura física de universidades de ponta, que sempre tiveram seus campus como centros de excelência e desenvolvimento de pesquisa?
Marion
– O termo não existe na legislação hoje, que ainda limita um pouco a questão do híbrido. Mas a tendência é esta. As mudanças na legislação, a possibilidade de até 40% online nos cursos presenciais, dão a conotação do híbrido. Vemos vários modelos sendo testados e acompanhados. Praticamente todo mundo tem um modelo. Sobre o campus: pelo menos nas grandes universidades, onde acontece ensino, pesquisa e extensão, o campus vai continuar existindo. A PUC fez toda uma remodelação neste sentido também, de o que chamamos a vida do campus. O que talvez deixe de existir é a situação de multicampi. Começa a perder um pouco o sentido ter vários campus e manter suas respectivas infraestruturas. E, ainda, situações de polos que, algumas vezes, não é possível nem chamar de salas de aula. Possivelmente, haverá diminuição.

EC – Por que vocês utilizam o termo online ao invés de EaD?
Marion
– Porque ensino a distância ainda dá aquela sensação de separação do processo pedagógico. O professor está de um lado, eu estou de outro, e distante da produção do conhecimento. E precisamos garantir educação online com qualidade de aprendizagem e alta interação. Ela não pode ser de total abandono do aluno em sua trajetória. Principalmente na graduação. Estou fazendo a formação de um profissional e preciso entender que ele tem uma autonomia, mas de disciplina, de busca do conhecimento, mas necessita ter presente o professor e a universidade. Nós trabalhamos com nosso corpo docente. Não é um terceirizado que eu nem conheço. São nossos professores que produzem o conteúdo, que fazem a mediação.

EC – Qual é o maior desafio da EaD?
Marion
– Garantir o debate. Caso contrário, não tenho construção e produção de conhecimento. Muitas vivências e práticas demonstram que isso é possível. Mas requer investimento em equipes e muito trabalho. Posso ter uma disciplina online sendo ofertada com um tutor para tirar dúvidas. Agora, se eu garanto o professor para o debate, eu garanto também a interação. Sabemos que existem alunos que vão acessar melhor a aprendizagem por esses meios (online), inclusive. Acaba sendo uma forma de inclusão. Mas não adianta colocar alunos para debaterem sozinhos se o professor não está acompanhando para levá-los à aprendizagem. A questão não é apenas ter acesso. É necessário ter sucesso. Nesta perspectiva, acredito que alguns dos grandes grupos também vêm incrementando sua qualidade dentro daquilo que lhes permite continuar com os lucros que obtêm. Existe uma caminhada de melhoria, até porque, por serem grandes grupos, investem em tecnologia. Mas é outro padrão, são coisas não comparáveis, basicamente. O grande desafio não é a Educação a Distância, é a forma como a gente faz isso.







Notícia publicada pelo Extra Classe, no dia 19 de agosto de 2019, no endereço eletrônico https://www.extraclasse.org.br/educacao/2019/08/ead-cresce-na-educacao-superior-privada/


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