O Futuro do trabalho e as IES

ABMES • 28 de junho de 2019

Por: Cibele Schuelter

A compra em caixas automáticos de supermercados está se popularizando e expandindo das grandes redes para o mercadinho da esquina. Há menos de três anos vimos pela primeira vez o projeto da Amazon para o supermercado do futuro, sem caixas, sem filas e sem funcionários. Neste modelo, a Amazon usa câmeras e sensores para detectar os movimentos dos compradores e entender o que eles retiram das prateleiras. Quando o cliente sai da loja, a empresa cobra os produtos do cartão de crédito que esteja registrado em sua conta da Amazon. Isto ocorre sem que haja absolutamente nenhuma interação humana. E antes que se pense que isso pode demorar para chegar no Brasil, é bom saber que em 2018 inaugurou em Vitória no Espírito Santo, e já com filial em São Paulo, a primeira loja autônoma brasileira, ou seja sem a presença de colaboradores. Mas não é só nos supermercados que a automação está se multiplicando. Em alguns hotéis e locadoras de veículos, lá fora e aqui, também por meio de uma máquina conseguimos fazer o check in ou locar o veículo sem passar por nenhum humano. Esta facilidade não para por aí: podemos fazer o check in para um voo sem ir ao aeroporto, nem passar pelo atendente de balcão. E o atendimento bancário não está diferente: é possível fazer muitas operações ao toque do dedo no celular.

O fato é que a tecnologia vem revolucionando a forma como compramos e como demandamos bens e serviços, e a cada momento surge uma proposta nova que proporciona aos consumidores uma melhor experiência de compra.

Em comum, todas elas têm o fato de que humanos estão alijados dos processos em escalas de volume. E que a quantidade de dados coletados e analisados em cada um dos novos processos melhora-os de maneira disruptiva. Já pensou a Cola-Cola saber exatamente quem consome cada um dos seus produtos, quando e onde, seu perfil? Dados são o novo ouro, o novo petróleo.

Big data e avanços no poder de computação desencadearam uma revolução tecnológica que tem enorme carga no local de trabalho e no mercado de trabalho em si. Máquinas e robôs estão melhorando suas capacidades rapidamente através da inteligência artificial e inovações em design e estrutura. Mas como esta revolução digital afetará empresas, trabalhadores e seus meios de subsistência ainda precisam ser melhor entendidos. O tamanho do impacto na sociedade [está sendo] será enorme. Deveríamos estar bem cientes da alteração de cenário diante de mais uma revolução industrial. A ruptura é equivalente a quando surgiram as máquinas a vapor na primeira revolução, a luz elétrica e os automóveis na segunda, ou a internet na terceira revolução industrial. O que traz uma revolução industrial à humanidade? Uma profunda alteração no modo como vivemos.

Novas tecnologias certamente causarão uma diminuição nos empregos em algumas ocupações e indústrias. Ao mesmo tempo, elas vão gerar muitos novos empregos. A questão é que os novos empregos demandam cada vez menos trabalho braçal e operacional e cada vez mais atividade intelectual. Esta pode ser a grande aposta das Instituições de Ensino Superior para o futuro do trabalho: compreender os desdobramentos da 4ª Revolução Industrial e formar profissionais capazes de interagir com as máquinas de maneira colaborativa. Esta é virada que os novos tempos podem trazer.




Artigo publicado no blog da ABMES, no dia 28 de junho de 2019, no endereço eletrônico https://blog.abmes.org.br/o-futuro-do-trabalho-e-as-ies/


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