Os robôs e as tendências sobre o futuro do trabalho

ABMES • 21 de maio de 2019

Por: Gabriel Mario Rodrigues

“Vivemos em uma época de mudanças revolucionárias. Você pode morar em qualquer lugar do mundo, ou fazer o que for, mas, se estiver no planeta terra, estará testemunhando uma revolução global. Estamos expostos a forças absolutamente sem precedentes. As relações humanas sempre foram turbulentas, mas as mudanças nunca foram tão rápidas como hoje. Duas forças impulsionam estas transformações. São a inovação tecnológica e o crescimento populacional”. Sir Ken Robinson, Ph.D (1)

A revista Veja desta semana traz uma reportagem interessante sobre o robô corretor de imóveis (2). O texto salienta que, em pouco tempo, não haverá lançamentos de prédios baseados em stand de vendas luxuosos, apresentações de apartamentos mobiliados e o enxame de corretores procurando vender o sonho do apartamento próprio apresentado em belíssimas locações videográficas. As estratégias de anúncios de páginas inteiras no Estadão, na TV, em revistas, distribuição de panfletos nas ruas e, ultimamente, nas redes sociais estão com os dias contados. Tudo isso vai mudar porque as empresas usarão a inteligência artificial para eliminar o intermediário humano da transação.

Isto coincide com sugestão do secretário executivo do Conselho de Administração da ABMES, Valdemar Ottani, ao me enviar para comentar artigo do CIO From IDG sobre 5 tendências do futuro do trabalho (3). Elas foram baseadas em análises realizadas pela empresa de recrutamento Robert Half, salientando que as novas tecnologias de comunicação e informação, a automação e os bancos de dados vão mudar o mundo de trabalho, advindo novas carreiras, mais eficiência e produtividade. Em síntese, os cenários são os seguintes:

  • Ambientes remotos e home office produtivo;
  • Conhecimento transmitido pelo EAD;
  • Capacidade de auto gestão;
  • Estabilidade via rede de contatos;
  • Trabalhar por um propósito.

Porém, o importante em tudo isto é que enquanto os principais países estão preocupados em adequar seus sistemas educacionais, o Brasil ainda pensa como na época de Cabral.

Estou lendo a 3ª edição de “Somos Todos Criativos”, de Sir Ken Robinson (Ed. Benvirá), no qual há uma informação que nunca havia pensado. Segundo ele, tratando-se de sistemas educacionais, todos são iguais, sejam de que regime forem: comunista, socialista, democrático, religioso, de centro, de direita e de esquerda. Todos são estruturados rigidamente com imposição de uma cultura de testes padronizados e regulamentos vários, restringindo a liberdade dos educadores de decidir o que e como ensinar. Praticamente todos os sistemas têm o mesmo figurino e a mesma hierarquia de disciplinas, quantidade de horas-aula obrigatórias ou optativas etc. Dificilmente vai se encontrar um sistema escolar que ensine dança todos os dias, da forma como é feita com a matemática.

A educação não é e nunca foi um processo imparcial de desenvolvimento das habilidades naturais das pessoas. Pelo contrário, estão destruindo o que é mais fundamental nos dias atuais, ou seja, a capacidade de vencer desafios pela criatividade, inovação e empreendedorismo.

Entre outros objetivos, os sistemas educacionais foram criados para atender a demanda da industrialização e do mercado de trabalho, iniciados há duzentos anos e sempre organizados pela inteligência acadêmica. Porém, por maiores que sejam as críticas, a humanidade, com todos os defeitos que conhecemos, produziu este mundo em que vivemos com suas inquestionáveis realizações. A inteligência artificial é criação dela e não podemos reclamar.

A arte de predizer o futuro sobre a inteligência artificial é questão de mais ou menos imaginação, pois só o tempo confirmará. O mais difícil é escrever sobre o Brasil, dadas as circunstâncias em que vivemos. O que fazer agora é o maior desafio que temos, porque governo, empresas, escolas, professores, políticos, estudantes e sociedade precisariam compartilhar as questões que nos afligem e ver o caminho a seguir. E por falar em desafios, o Ministério da Educação (MEC) tem medidas urgentíssimas a solucionar, muitas das quais expressas na entrevista da professora e socióloga Maria Helena Guimarães, experiente protagonista de questões educacionais no serviço público, publicada na edição de domingo (19) do jornal O Globo. (4)

Ao nosso ver, é primordial a implementação da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), que foi discutida por especialistas ao longo de mais de quatro anos e oferece ensino básico mais atento às necessidades atuais dos estudantes. Existem ainda as questões imediatas relacionadas ao Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e ao Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), sem esquecer da renegociação do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb).

Para concluir este tema nada melhor que a Profa. Vanessa Evers, docente de Ciência da Computação na Universidade de Twente (Países Baixos), autora de quase 200 artigos científicos e editora do International Journal of Social Robotics.

“Robôs e sistemas inteligentes artificialmente poderão nos oferecer habilidades exclusivas para apoiar e melhorar tomadas de decisão e entender situações e maneiras de agir. Robôs poderão contribuir ou fazer nosso trabalho de maneira autônoma. Talvez a robótica irá totalmente se integrar fisicamente aos nossos corpos humanos uma vez que diversos desafios forem superados. Além disso, iremos nos relacionar com agentes artificiais assim como fazemos com os humanos, ao nos comunicarmos por meio de uma língua natural, ao observarmos seus comportamentos e ao entendermos suas intenções”.

Quem viver, verá. E, nas circunstâncias em que o país está, é melhor enfrentar os desafios do presente para poder alimentar pretensões de pensar no futuro.







Notícia publicada pelo blog da ABMES, no dia 21 de maio de 2019, no endereço eletrônico https://blog.abmes.org.br/?p=15393


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