Qual o primeiro passo para um projeto de internacionalização na Educação Superior?

ABMES • 03 de maio de 2019

Por: Alberto Costa

A internacionalização está para o Ensino Superior assim como o bilinguismo está para a Educação Básica: todo o sistema da educação já despertou para a grande necessidade de transformar seus cursos no meio que formará os cidadãos globais da atualidade e do futuro. Entretanto, na mesma proporção, encontramos com frequência gestores com mais perguntas do que respostas sobre como se preparar e se colocar nesse cenário de uma maneira sólida e eficiente.

Assim como aconteceu com as escolas europeias e norte-americanas, que passaram por esse processo e elegeram o inglês como o idioma oficial dos seus programas de educação para integrar pessoas de diferentes nacionalidades e propagar a cooperação internacional, uma parcela das universidades brasileiras também já aderiu ao movimento.

Esse é o caso de instituições como a Universidade de São Paulo (USP), a Pontifícia Universidade Católica (PUCRS), a Universidade Federal do ABC (UFABC), a Fundação Getúlio Vargas (FGV) e a Fundação Instituto de Administração (FIA), por exemplo. Todas essas, e tantas outras, ministram aulas em inglês e contam com professores e alunos estrangeiros, que propiciam a interação e a troca cultural, além do aprendizado teórico e prático da disciplina e das oportunidades de intercâmbio acadêmico.

Apesar de todo o avanço, ainda são necessárias muitas mudanças e ajustes para que isso se torne cada vez mais real e democrático, visto que o processo no País ainda é bastante recente. É possível conhecer melhor o panorama neste relatório da CAPES a respeito da internacionalização nas universidades brasileiras.

E, então, considerando as experiências de sucesso, qual o primeiro passo para um projeto de internacionalização na Educação Superior?

Se pensarmos conceitualmente, levando em consideração os estudos de Jane Knight, professora do Instituto de Estudos em Educação da Universidade de Ontário, no Canadá, a internacionalização da educação superior é o processo de integração de uma dimensão internacional, intercultural e global sobre os objetivos, ensino, aprendizagem, pesquisa e serviços de uma universidade ou de um sistema de Ensino Superior.

Na prática ela consiste na articulação da instituição no contexto mundial ao adotar práticas e iniciativas que abrem novos espaços para a projeção internacional e para a vinculação com redes acadêmicas, além de consolidar valores como a cooperação e a solidariedade na cultura institucional.

Como consequência, uma série de benefícios se apresentam e se autoalimentam, já que o atributo é visto como um diferencial no momento de escolher uma universidade, é um fator que amplia as oportunidades de inserção dos formandos no mercado de trabalho futuramente e também contribui para melhores colocações nos rankings de qualidade.

Ou seja, o primeiro ponto é compreender também o que não caracteriza a prática, como ações superficiais ou isoladas de troca de pesquisadores acadêmicos, por exemplo. E, diante disso, o êxito de um projeto bem planejado e executado está na definição dos objetivos a serem atingidos a partir dos pontos chave da internacionalização. Veja alguns pontos de reflexão que podem contribuir para o pontapé:

  1. Como tem se dado o intercâmbio científico na sua instituição? Por meio de uma iniciativa individual dos pesquisadores ou de uma iniciativa institucional?
  2. A sua instituição possui um comitê de internacionalização?
  3. Com quantas instituições o comitê faz parcerias? E em quantos países?
  4. Existe uma versão em inglês para o site da sua instituição?
  5. Há modelos de documentos emitidos pela instituição, com os nomes das disciplinas e ementas, traduzidos para o inglês?
  6. Há um catálogo em inglês com nome de disciplinas e das ementas para envio aos parceiros, visando atrair alunos estrangeiros para o Brasil?
  7. Você conhece o nível de inglês dos seus alunos e professores e a aptidão acadêmica deles para lecionar no idioma?
  8. Quais são as regras para os testes de proficiência e quais instrumentos de aferição são adotados?

A articulação entre essas áreas propicia encontrar os pontos fortes e fracos da estratégia adotada e, com isso, fortalecer o que ainda precisa ser desenvolvido, seja o currículo, o preparo dos professores, o diagnóstico de proficiência dos docentes e discentes, uma política de idiomas clara e abrangente. Gradativamente e com boas práticas é possível alcançar os mais altos níveis internacionais, transformando o investimento em diferencial competitivo.






Notícia publicada pelo site da ABMES, no dia 03 de maio de 2019, no endereço eletrônico https://blog.abmes.org.br/?p=15328


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