Inteligência Artificial de bengala e cabelos brancos

ABMES • 23 de abril de 2019

Por: Gabriel Mario Rodrigues

Inteligência artificial (por vezes mencionada pela sigla em português IA ou pela sigla em inglês AI – artificial intelligence) é a inteligência similar à humana exibida por mecanismos ou software. Também é um campo de estudo acadêmico. Os principais pesquisadores e livros didáticos definem o campo como “o estudo e projeto de agentes inteligentes”, onde um agente inteligente é um sistema que percebe seu ambiente e toma atitudes que maximizam suas chances de sucesso. (Wikipedia)

Estava de plano dar sequência ao meu artigo anterior, publicado no Blog da ABMES – “O que acontecerá quando as máquinas fizerem tudo?” – quando recebo um vídeo do pastor e coaching Carlos Maia descrevendo as incríveis transformações dos últimos dez anos: a Netflix acabou com as locadoras; o Spotify, com as gravadoras; o Google, com as enciclopédias; o WhatsApp, com os operadores de telefonia; o Uber, com os taxistas; o Booking e a Trivago, complicando a vida das agências de turimo, e muitas outras que vocês podem ver no vídeo. Tudo devido à engenhosidade da inteligência humana, agora exponencialmente apoiada pela Inteligência Artificial (IA) e pelo intercâmbio de ideias globais.

https://youtu.be/6aQmLRAifrU

E para convalidar este conceito de compartilhamento é que transcrevo a colaboração que recebi do professor e consultor Roney Signorini que considera indispensável começar pelo começo, isto é, contando um pouco da história da IA:

Extraordinário e admirável o que cientistas e estudiosos relatam sobre a história da IA que dizem ter começado na antiguidade. Razão de procurar na Wikipédia matérias que deixam a qualquer um perplexo e que permitiram esta resenha.

De início, mestres artesãos relatam o impacto, entre mitos, histórias e rumores, de seres de outros planetas dotados de inteligência ou consciência, que existem há séculos. As sementes da IA moderna foram plantadas por filósofos clássicos que tentaram descrever o processo do pensamento humano como a manipulação mecânica de símbolos.

Esse trabalho culminou na invenção do computador digital programável na década de 1940, uma máquina baseada na essência abstrata do raciocínio matemático. Esse dispositivo e as ideias por trás dele inspiraram um punhado de cientistas a começar a discutir seriamente a possibilidade de construir um cérebro eletrônico.

No século XVII, Leibniz, Thomas Hobbes e René Descartes exploraram a possibilidade de que todo pensamento racional pudesse ser tornado tão sistemático quanto a álgebra ou a geometria. Assim Hobbes escreveu que “a razão não é nada além de um cálculo”. Esses filósofos começaram a articular a hipótese do sistema de símbolos físicos que se tornariam a fé orientadora da pesquisa da IA.

Nos anos 1940 e 1950, um punhado de cientistas de diversas áreas (matemática, psicologia, engenharia, economia e ciência política) começou a discutir a possibilidade de criar um cérebro artificial. A pesquisa em inteligência artificial foi fundada como uma disciplina acadêmica em 1956. Agora, conforme a Agence France Press (AFP), o Instituto Tecnológico de Massachusetts (MIT) anunciou estar criando uma universidade de inteligência artificial (IA), com investimento inicial de US$ 1 bilhão, voltada para o uso “responsável e ético” da tecnologia.

A pesquisa mais antiga sobre máquinas pensantes foi inspirada por uma confluência de ideias que se tornaram predominantes no final dos anos 1930, 1940 e início dos anos 1950, que, utilizando conhecimentos e estudos em neurologia, mostraram o cérebro como uma rede elétrica de neurônios, disparando pulsos de tudo ou nada.

Tudo começou em 1956 na Conferência de Dartmouth com a proposta temática: “Todos os aspectos da aprendizagem ou qualquer outra característica da inteligência podem ser descritos com tanta precisão que uma máquina pode ser feita para simulá-la”. No evento, os cientistas John McCarthy e Marvin Minsky, considerados os pais da IA persuadiram os participantes a aceitarem “Inteligência Artificial” como o nome do campo, com sua missão, seu primeiro sucesso e seus principais atores. Esse é amplamente considerado o nascimento da IA.

Os anos que se seguiram à Conferência de Dartmouth, digamos até 1974, foram uma era de descobertas, de corrida por novas áreas. Os programas desenvolvidos durante esse tempo eram, para a maioria das pessoas, simplesmente “surpreendentes”: computadores estavam resolvendo problemas de palavras de álgebra, provando teoremas em geometria e aprendendo a falar inglês. Poucos na época teriam acreditado que tal comportamento “inteligente” por máquinas fosse possível a todos. Pesquisadores expressaram um intenso otimismo, prevendo que uma máquina totalmente inteligente seria construída em menos de 20 anos e, consequentemente, agências governamentais despejaram muito dinheiro no novo campo.

Ficou óbvio que eles tinham subestimado as dificuldades do projeto. Em resposta às críticas e à contínua pressão do congresso, os governos dos EUA e do Reino Unido pararam de financiar pesquisas indiretas sobre inteligência artificial, e os anos difíceis que se seguiram seriam mais tarde conhecidos como “inverno da IA”. Sete anos depois, uma iniciativa visionária do governo japonês inspirou os governos e a indústria a fornecerem bilhões de dólares para a IA, mas no final dos anos 80 os investidores se desiludiram com a falta do poder computacional necessário (hardware) e retiraram o financiamento novamente.

O investimento e o interesse em IA aumentaram nos primeiros momentos do século XXI, quando o aprendizado de máquina foi aplicado com sucesso a muitos problemas, na academia e na indústria, devido à presença de poderosos hardwares.

O que de mais interessante encontrei nas minhas leituras foi a confirmação de que a inteligência artificial se baseia no pressuposto de que o processo do pensamento humano pode ser mecanizado. Então, foram desenvolvidas várias máquinas lógicas dedicadas à produção de conhecimento por meios lógicos, máquinas como entidades mecânicas que podiam combinar verdades básicas e inegáveis por simples operações lógicas, produzidas pela máquina por significados mecânicos, de modo a produzir todo o conhecimento possível. Espetacular.

Assim também, o estudo da cibernética que descreveu o controle e a estabilidade em redes elétricas, a teoria da informação que descreveu sinais digitais (ou seja, sinais de tudo ou nada, os famosos “um e zero”). E, talvez a mais importante contribuição, a de Alan Turing, que, com sua teoria da computação mostrou que qualquer forma de computação poderia ser descrita digitalmente. A estreita relação entre essas ideias sugeriu que seria possível construir um cérebro eletrônico. Eureka! Aí estava o estágio vestibular da IA.

Turing argumentava de maneira convincente que uma “máquina pensante” era pelo menos plausível e respondia a todas as objeções mais comuns à proposição. Viria a ser a primeira proposta séria na filosofia da inteligência artificial.

Pensando em todo esse contexto da IA e a aplicação na educação superior realço ainda a espetacular pesquisa do jornalista Vinícius de Oliveira, publicada no Porvir, em 21 de janeiro de 2019, que mostra os 10 fatos mais importantes que estão acontecendo sobre IA no ensino superior. Recomendo a leitura.

O documento foi baseado em “Ten Facts About Artificial Intelligence in Teaching and Learning” (Dez fatos sobre inteligência artificial no ensino e aprendizagem), produzido pela ONG canadense Contact North, financiada pelo governo da província de Ontário.

Ao se analisarem friamente estes dez fatores, fica implícito que a IA vai transformar o aprendizado tradicional criado pelos sistemas educacionais, que visavam formar mão de obra para o chão da fábrica e colarinhos brancos para escritórios e empresas da era industrial – salas iguais, prédios assemelhados, currículos idênticos inflexíveis e os mesmos professores que ensinavam igualmente, o que tinham aprendido há 30 anos, para estudantes com mentes e objetivos de vida totalmente diferentes.

Quem refletir seriamente vai perceber que, se quisermos nos manter nas atividades empresariais da educação, necessariamente precisaremos colocar o IA em primeiro lugar em nossas vidas.






Notícia publicada pelo blog da ABMES, no dia 23 de abril de 2019, no endereço eletrônico https://blog.abmes.org.br/?p=15300


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