Jurassic Park, renascimento de um dinossauro: “novas” diretrizes da Graduação do Curso de Educação Física

ABMES • 29 de março de 2019

Por: Rainer Marinho da Costa

No dia 17 de dezembro de 2018, juntamente com as Diretrizes Nacionais para Extensão e as Novas Diretrizes do Curso de Direito (que causaram uma excelente impressão pela sua qualidade), surgiram as “novas” – se é que podemos utilizar esse termo – Diretrizes da Graduação de Educação Física, que espantam pela reedição de uma discussão inoportuna a respeito do uso do termo “graduação” como sendo exclusivamente atribuído para bacharelados e licenciaturas.

Nesse contexto, é excluído o que a própria LDB define como graduação, retirando os tecnólogos dessa condição e reeditando uma velha discussão sobre a vinculação de bacharelados às licenciaturas como um único curso, não incorporando o espírito da Resolução nº 2, de 2015, que explicita a especificidade da formação de professores como diferente em relação a de bacharéis.

Assim, são negados todos os avanços realizados sobre a separação das duas formações, que tanto foi discutida nos últimos 15 anos e, o que é pior, o Projeto de Resolução que aguarda homologação aprofunda a junção dos dois cursos com a reedição do modelo “2 em 1” que tivemos por anos, retirando da licenciatura toda a sua especificidade de formação docente.

Pelo espírito das Diretrizes, depreende-se que o curso delimita a graduação em uma via paralela: bacharelados e licenciaturas. Assim, em breve teremos um movimento de todos os cursos que têm essa divisão solicitando o mesmo tratamento: Letras, História, Biologia, Matemática e voltaremos à reedição de um problema já solucionado acerca dos cursos “2 em 1”.

No ano passado, o Ministério da Educação, na implantação das novas classificações de curso, criou um número específico para os cursos de educação: “1”, exatamente para valorizar a formação docente e incentivar que se buscassem dividir, de fato, seus cursos de duplo foco: bacharel e licenciaturas, no qual cada um buscasse a sua especificidade. Nas atuais circunstâncias, somos surpreendidos por estas velhas “Novas Diretrizes”, que reeditam uma questão superada.

Quando se lê com cuidado a definição do perfil dos dois egressos, temos somente como diferença:

– “O graduado Bacharel em Educação Física terá formação […] na conduta ética em todos os campos de intervenção profissional da Educação Física, exceto a docência na Educação Básica”;

– “O graduado Licenciado em Educação Física terá formação […] na conduta ética no magistério, ou seja, na docência do componente curricular Educação Física”.

Sendo todo o resto idêntico, é esquecida toda a especificidade do curso de licenciatura e do que preconiza a Resolução nº 2, de 2015, que mostra o quão maior é este abismo entre as duas formações.

Outro ponto importante foi a retirada da autonomia das instituições universitárias ou de centros universitários para criarem cursos tecnólogos dentro da área, pois, ao definirem Educação Física como graduação em licenciaturas e bacharelados, impossibilitam-nas de criarem qualquer outro tipo de curso em sua autonomia.

O que mais chama a atenção é o Projeto de Resolução que está aguardando homologação pelo seu retrocesso no tratamento das licenciaturas, ao vinculá-las ao curso de bacharelado, seja nos seus conteúdos específicos, seja no percentual de carga horária. Dessa forma, desejamos e esperamos que o projeto não seja homologado, pois isso será um completo retrocesso e torcermos pela revisão das diretrizes, com o retorno da diferenciação da licenciatura, que se trata de um curso de educação e não de saúde, como o de bacharelado, e que, portanto, não pode ter o mesmo tratamento.








Notícia publicada pelo blog da ABMES, no dia 29 de março de 2019, no endereço eletrônico https://blog.abmes.org.br/?p=15207


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