11 dicas para transformar a sua instituição de ensino

Revista Ensino Superior • 16 de janeiro de 2019

Especialistas listam os pontos essenciais que devem constar no planejamento de todos os gestores educacionais que desejam promover melhorias em suas escolas

Por Ana Valéria Sampaio de Almeida Reis, Fábio Reis, José Roberto Covac e Maria Aparecida Felix do Amaral e Silva*

Provavelmente, você leitor, já planejou o ano de 2019. Como estamos em janeiro, ainda há tempo para pensar e repensar seu planejamento. Resolvemos apresentar algumas dicas, a partir da nossa experiência. Outras dicas podem ser escritas a partir da experiência de cada leitor. O nosso registro tem o objetivo de sugerir caminhos e provocar a reflexão.

1- Invista em gestão e seja sustentável. A previsão de crescimento da economia em 2019 é de 2,5% (há variações nas fontes), o país continuará em um cenário de dificuldade econômica. O desemprego (11,7%) e as incertezas do setor educacional são fatores que evidenciam um ano difícil. Gestão no ensino superior não é apenas corte de custo, é também, postura estratégica, visão de futuro e investimento em que é relevante para uma IES. É ter estratégias para se chegar a resultados previstos no planejamento. A sustentabilidade sadia acontece quando o gestor, com base em evidências, investe na atividade fim da instituição (aprendizado dos alunos). Invista em pessoas talentosas e em projetos alinhados com a missão e com o planejamento da IES.

2- Saiba lidar com as incertezas, inclusive do novo governo, mas pense no que está por vir. O que será do ensino superior daqui a cinco anos? É uma pergunta difícil de responder, mas é preciso construir cenários e ter sabedoria para enfrentar as incertezas. O acesso à informação, as novas tecnologias e o mundo digital interferem de forma significativa na educação. Podemos prever que a inteligência artificial irá impactar o ensino superior, mas não sabemos a dimensão do impacto. O novo ministro da Educação e os secretários podem, ou não, promover mudanças significativas em nosso setor. Como o MEC ainda não declarou seus projetos, devemos ser propositivos e colaborarmos com a construção de políticas educacionais que melhorem a qualidade do ensino superior no Brasil, cuja premissa tem fundamento constitucional.

3- Valorize gente criativa, que seja capaz de planejar e executar. A criatividade será um valor relevante para as IES. As instituições precisam de gente que saiba pensar e repensar modelos acadêmicos, que saiba construir projetos alinhados com o mundo em que vivemos, que saiba agregar valor à formação dos estudantes. IES que valorizam o diálogo e a construção coletiva, terão, provavelmente, um modelo acadêmico multicursos, interdisciplinar, inovador e contemporâneo. Uma instituição de sucesso é formada por gente talentosa, criativa e capaz de executar. Essa afirmação é um clichê, mas precisa ser repetida, para ser compreendida e institucionalizada.

4- Defina um modelo acadêmico. Um modelo acadêmico pode ser entendido como um plano que define a concepção de ensino- aprendizagem, de pesquisa e de extensão de uma IES, observada a natureza e missão da organização acadêmica. Provavelmente essa é uma das maiores carências das IES na atualidade. É mais comum encontrarmos nas instituições um conjunto fragmentado de ações dispersas. IES competitivas são aquelas em que as pessoas que atuam, especialmente, na gestão acadêmica são capazes de definir, propagar e institucionalizar o modelo educativo, que precisa expressar a identidade institucional e tem que evidenciar uma dinâmica que modifica a atitude dos professores e dos estudantes, além de ser evidenciada em todos os espaços de aprendizagem e que gere valor na qualidade da oferta do ensino.


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5- Busque informações sobre os melhores modelos de EAD e conheça o significado do ensino híbrido. A expansão das matrículas em programas on-line irá continuar. A nova legislação sobre o tema permite até 40% de EAD nos cursos presenciais para a IES que cumpra a Portaria nº 1.428, de 28 de dezembro de 2018. Os modelos de EAD, de modo geral, são mais convencionais do que inovadores. Recomendamos que o gestor busque informações sobre os melhores modelos e elabore projetos alinhados com a concepção acadêmica da instituição. É preciso romper com a separação entre ensino a distância e presencial. Esperamos que o gestor compreenda a dimensão e o significado do ensino híbrido. A legislação que permite os 40% de EAD nos cursos presenciais é uma oportunidade que precisa ser utilizada com foco na qualidade, na aprendizagem e na sustentabilidade. As propostas acadêmicas devem integrar o virtual com o presencial, pois o projeto tem que ser único.

6- Valorize a cultura empreendedora e maker, faça maratonas Hackathon e incentive parcerias com o setor produtivo. A cultura do empreendedorismo não está em uma disciplina. Cultura é algo vivenciado em todos os setores da IES. Valorizar o empreendedorismo é formar gente proativa, criativa e que busca soluções em forma de produtos e serviços para a sociedade. O movimento maker e as maratonas podem valorizar a prática com teoria e provocar o estudante a buscar soluções para problemas reais. Esse conjunto de atividades somadas ao incentivo às startups colabora com a criação da cultura da inovação e pode intensificar os vínculos com o setor produtivo. São atividades que provavelmente transformam o ambiente de aprendizagem e tornam os estudantes engajados. Há impacto dessas atividades no aprendizado dos estudantes. A inovação pedagógica traz resultados.

7- Invista no professor. Toda instituição que quiser, de fato, priorizar a aprendizagem dos estudantes terá que investir na capacitação do professor. Sabemos que os professores são a peça-chave no ambiente educacional. O investimento tem que ser realizado a partir de um plano de capacitação em que a IES declare as etapas da formação e o que espera como resultado. A formação continua dos profissionais/professores é um investimento necessário. São os professores os responsáveis por colocarem em prática o modelo educativo da IES. São eles os motores da consolidação do processo de inovação da instituição.

8- Faça a análise de big data, utilize os algoritmos e entenda que o mundo é digital. A profissionalização da gestão da IES requer, entre outros fatores, capacidade de análise de dados, informações que garantam o sucesso do estudante e resultados acadêmicos, administrativos e financeiros alinhados com o planejamento da instituição. Muitas organizações realizam levantamentos de informações via big data, mas poucos sabem utilizá- los. Com bons algoritmos, será possível prever o comportamento dos estudantes e, especialmente, evitar a evasão e garantir a permanência deles. IES contemporâneas são digitais e já compreenderam que os estudantes também são digitais.

9- Seja um especialista em jovem. O acesso à informação e à tecnologia contribuiu para mudar o comportamento do jovem em relação ao processo educativo. Jovens são mais digitais e provavelmente vão estudar em IES que, de alguma forma, lhe agreguem valor e que lhe façam sentido. Dificilmente o jovem vai investir recursos financeiros em instituições de alto custo e de pouco retorno para os seus valores. É preciso compreender suas expectativas, o que pensam e o que esperam da educação. É mais comum pensarmos a educação a partir da nossa concepção de educação e dos nossos valores. Um gestor 40 anos mais velho que um jovem que ingressa na IES, provavelmente, desconhece os valores e as demandas desse jovem e isso certamente vai gerar conflito de gerações.

10- Compreenda a legislação educacional e adote um programa de integridade (compliance). Conhecer, compreender e saber agir conforme as normativas da legislação educacional é uma vantagem competitiva da IES. Perante um emaranhado de normas legais, a IES que dominar as possibilidades de atuar segundo essa legislação poderá inovar e agir de forma mais flexível. O desconhecimento da norma pode gerar a supervisão ou o monitoramento da IES. A adoção do programa de integridade e compliance permitirá que as instituições mapeiem os riscos e evitem processos de supervisão e monitoramento previstos na legislação.

11- Participe de diferentes redes de cooperação e seja local e global. Cooperação, eis a estratégia de que nenhuma IES poderá abdicar. A cooperação possibilita aprendizado institucional, diminuição dos custos operacionais da IES, mobilidade de estudantes e professores e busca de soluções para os problemas da sociedade. Deverá a IES ser local e relevante para a sociedade de sua região e, ao mesmo tempo, ser global e dialogar com IES e organizações que de fato estejam dispostas a colaborarem. Iniciar o ano com objetivos concretos é uma prática comum para muitas pessoas. Uma IES não pode se dar ao luxo de descuidar do planejamento. Um gestor profissional não pode deixar de desenhar cenários. Sem dúvida, é preciso viver o presente e resolver problemas do dia a dia, mas a sabedoria e a experiência indicam que organizações de sucesso fazem planejamento, elaboram estratégias, vislumbram cenários e atuam para proporcionar o sucesso e garantir o futuro da instituição, com inovação, criatividade e sustentabilidade. Sejamos felizes em 2019!

*Ana Valéria Sampaio de Almeida Reis, diretora de IES (Polo Uniitalo), consultora da Expertise e doutoranda na Universidade de Coimbra; Fábio Reis, diretor de Inovação e Redes do Semesp, membro do comitê gestor do Consórcio STHEM Brasil, consultor da Expertise e prof. do Unisal e Unitoledo; José Roberto Covac, sócio-fundador da Covac Advogados e da Expertise Educação; Maria Aparecida Felix do Amaral e Silva, professora do Polo Uniitalo, consultora da Expertise Educação e doutoranda na Universidade de Coimbra.








Notícia publicada pelo site da Revista Ensino Superior, no dia 14 de janeiro de 2018, no endereço eletrônico http://www.revistaensinosuperior.com.br/transformar-instituicao-de-ensino/


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