Braile é fundamental na educação inclusiva

Estadão • 07 de janeiro de 2019

Em entrevista ao #blogVencerLimites, especialista da Fundação Dorina Nowill destaca a importância do sistema criado há 200 anos para a continuidade do aprendizado por todo o período escolar e universitário. Coordenadora comenta o papel das novas tecnologias no complemento da acessibilidade. Nesta sexta-feira, 4 de janeiro, celebramos o Dia Mundial do Braile.


IMAGEM 01: Em entrevista ao #blogVencerLimites, especialista da Fundação Dorina Nowill destaca a importância do sistema criado há 200 anos para a continuidade do aprendizado por todo o período escolar e universitário. Coordenadora comenta o papel das novas tecnologias no complemento da acessibilidade. Nesta sexta-feira, 4 de janeiro, celebramos o Dia Mundial do Braile. Descrição #pracegover: Regina Oliveira é cega e está em pé, de frente para a câmera, segurando uma bengala. Ao fundo, uma oficina gráfica com vários equipamentos para impressão. Crédito: Reprodução.

O braile, sistema de leitura e escrita desenvolvido pelo francês Louis Braille, permanece fundamental na educação inclusiva. É ferramenta essencial não apenas para a alfabetização de pessoas com deficiência visual, mas na continuidade do aprendizado por todo o período escolar e universitário.

“O braile é necessário para o aluno aprender a língua portuguesa e também idiomas estrangeiros, para aprender matemática, física, química e outras disciplinas”, afirma Regina Oliveira, coordenadora de revisão da Fundação Dorina Nowill para Cegos e membro dos conselhos Mundial e Ibero-americano do Braile.

Nesta quinta-feira, 4 de janeiro, é celebrado o Dia Mundial do Braile, referência ao nascimento de seu criador, em 1809 na cidade de Coupvray, na França, há 40 km de Paris. Aos três anos, quando brincava na oficina do pai (Simon-René Braille, fabricante de arreios e selas) o menino machucou o olho esquerdo. A infecção do ferimento alastrou-se, atingiu o olho direito e ele jamais enxergou novamente.

NOVAS TECNOLOGIAS – Regina Oliveira usa principalmente o smartphone para leitura e comunicação, e afirma que as novas tecnologias são complementares ao braile. “É muito positivo, mas não se trata de uma substituição, cada sistema tem sua função e importância”, diz.

Segundo o Censo 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil tem 6.562.910 cidadãos com deficiência visual severa (506.377 cegos e 6.056.533 com baixa visão). O senso também registrou que 29.211.482 têm alguma dificuldade para enxergar.

A data ‘8 de abril’ foi estabelecida em 2010 o como ‘Dia Nacional do Braile’ para celebrar o nascimento de José Álvares de Azevedo (1834, no Rio de Janeiro), primeiro professor brasileiro cego que trouxe o método para o País em 1850.

Azevedo, que nasceu cego, é o patrono da educação dos cegos no Brasil. De família abastada – era filho de Manuel Álvares de Azevedo -, foi para a França em 1844, com apenas 10 anos, para estudar no Instituto Real dos Jovens Cegos de Paris (Institut National des Jeunes Aveugles), onde permaneceu por seis anos.

Voltou ao Brasil em 1850 com o propósito de difundir o braile e criar uma escola para cegos. Escreveu e publicou artigos sobre as possibilidades e condições de educação para pessoas cegas.

O braile tem base na combinação de seis pontos dispostos em duas colunas e três linhas, permite a formação de 63 caracteres diferentes, que representam as letras do alfabeto, números, simbologia científica, musicográfica, fonética e informática.

Adapta-se à leitura tátil porque os seis pontos em relevo podem ser percebidos pela parte mais sensível do dedo com apenas um toque. A leitura do braile é feita da esquerda para a direita, com uma ou ambas as mãos. Algumas pessoas que conseguem ler até 200 palavras por minuto.

O Sistema Braile obedece a regras internacionais de altura do relevo e de distância entre pontos, entre linhas e entre ‘celas’, que são formadas por duas colunas de três pontos. Há combinações para a representação de letras, números, símbolos científicos, notas musicais, fonética e informática.

Pode ser utilizado por pessoas cegas ou com baixa visão, mas nem toda pessoa cega lê o braile. Cada caractere pode ser percebido com apenas um toque da parte mais sensível do dedo indicador (a polpa). Também pode ser escrito à mão, utilizando uma ferramenta chamada reglete e outra chamada punção, que funcionam como caderno e caneta. A escrita manual deve ser feita da direita para a esquerda para garantir o relevo ao virar o papel que foi puncionado.









Notícia publicada pelo site do Estadão, no dia 04 de janeiro de 2018, às 12h53, no endereço eletrônico https://brasil.estadao.com.br/blogs/vencer-limites/braile-e-fundamental-na-educacao-inclusiva/


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