Mudanças no setor educacional não são fáceis de resolver

ABMES • 06 de novembro de 2018

Por: Gabriel Mario Rodrigues

Se você quer vencer não fique só olhando a escada. Comece a subir degrau por degrau até chegar no topo. (Anônimo)

Uma notícia alarmante chega pelo Correio Braziliense: “Pare por um momento e imagine o seguinte cenário: se o Brasil fosse hoje uma escola com 100 crianças no 1° ano do ensino fundamental, em 2020 apenas 48 delas sairiam alfabetizadas do 3° ano dessa etapa, sendo que somente 30 chegariam, em 2029, ao final do ensino médio com conhecimento básico em língua portuguesa e 2 em matemática. Esse cenário é uma possibilidade caso sejam confirmadas as tendências observadas nos dados de aprendizagem da Avaliação Nacional da Alfabetização (ANA) e do Saeb dos últimos anos. Outras projeções, baseadas em dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad/IBGE), mostram ainda que 24 dessas 100 crianças podem não completar a educação básica até os 19 anos”.

Exageros e impaciência à parte, pelo contido no caderno de educação que o Estado publicou na 3ª. feira, dia 15 de maio, parece estar faltando um pouco de prudência, moderação e comedimento, para analisar sem emoção uma realidade que está acontecendo em todo o mundo, onde os planos curriculares universitários, estão sendo superados.

Isso de inovação e criatividade, já nos debruçamos aqui neste espaço, quase à exaustão, na medida em que são artigos e não teses, continuamos com a proposta de reflexões sobre os temas.

De saída, é bom distinguir o que seja inovação pedagógica, metodológica, social e tecnológica porque para “enfrentar” essas “questões” que preocupam, porque implica em disrupção sem meias ações, ao contrário, empreender o novo, a criatividade para enfrentar outros desafios como estagnação, mesmice, lugar comum e assemelhados, é preciso dotar-se de muita vontade, correr riscos, aventurar-se pelo certo e correto porque ninguém pode ter compromisso com o erro e com o desacerto. Ou seja, enfrentar os desafios
para propor mudanças.

Inegavelmente essa sempre foi a intenção da maioria das Universidades brasileiras, sem, no entanto, lograr sucesso porque há ou havia um sem número de fatores adversos sem falar na turma do “deixa para lá” por conveniências próprias (individuais, grupais ou de corporações) que se não atrapalhavam também não colaboravam. No dia 17 de maio de 2018, pelo Estadão, o professor Roberto Macedo com muita cautela escreveu: aprendi que nas universidades brasileiras há muito o que aprimorar. Mas elas resistem a adotar as mudanças necessárias. Seus professores estão mais preocupados com suas carreiras, como também aconteceu comigo, do que em olhar para os lados, e para o mundo, e focar em mudanças em termos de ensino, pesquisa e outros serviços do setor.

Plataformas de inovações pressupõe o coletivo, a comunidade acadêmica absolutamente afinada em um só diapasão para a adoção de projetos inovadores e desenvolvimentistas, já que “estamos sendo transformados pelo mundo, fazendo a travessia da era industrial para a digital”, afirma Patrícia Cardim, do centro universitário Belas Artes.

O citado caderno do Estadão trouxe importantes depoimentos para enriquecer o assunto e com isso noticiar à sociedade de que várias IES estão se mexendo na educação superior daí merecer o respeito, ao menos pela tentativa de mudar e alterar o cenário dando mais cores e mais zoom nos conhecimentos ante o pálido branco-cinza-preto das cognições ultrapassadas.

A escola que pretenda incursionar pelo novo, com mudanças, sabe, de antemão, que o caminho não tem volta. Só é possível adquirir passagem de ida por um trajeto “desbravador” cuja proposta deverá ser muito partilhada, pautada por desafios diferentes e inusitados. A adoção de algumas premissas—conteúdo e continente farão da comunicação e educação os dois grandes pilares que sustentarão o projeto de mudança, aplicadas sempre em ações a quatro mãos: as do professor e as do aluno. Assim é a educação levada às últimas consequências.

O professor Tales Andreassi, da FGV, por exemplo, tem opinião diversa para quem o tom alarmista de pesquisas que indicam o fim de profissões e carreiras não convence. Para ele, fala-se nisso há mais de 20 anos, sobre o fim dos empregos tradicionais, mas as vagas vão se transferindo e há toda uma adaptação, porque os profissionais vão encontrando novos nichos. Bem por isso, afirma Tales, o ensino superior passa por mudanças e que ainda há muito trabalho a ser feito.

Fato é que são muitas as premissas exigíveis para qualquer mudança ou transformação que levem à criatividade e inovações, sem as quais nada acontece, como exemplo, uma boa gestão porque no cenário globalizado e tecnológico atual, o conhecimento tem sido o diferencial imposto pela sociedade como exigência para o mercado de trabalho, promovendo um crescimento da educação superior. Sem boa gestão a instituição se fragmenta se não aplicar um planejamento estratégico para chegar aos resultados desejados. Por planejamento estratégico entenda-se tratar de um processo que exatamente orienta a gestão e a tomada de decisões das IES. Ficamos no presente ou vamos para o futuro? E como lidar com os aspectos regulatórios que o Mec impõe e alinha-lo a realidade.

Já se começa a falar, com certa vaidade, em o novo, a mudança, a inovação etc. etc. mas se não se atentar para o Sinaes, que dentre outras (novas) regulações impõe o PDI – Plano de Desenvolvimento Institucional, bem como o PCC-Projeto Pedagógico do Curso, que deverão ser revistos a partir das mudanças do PDI, é provável o insucesso.

Quanto a este último, crescem as preocupações com todos os necessários ajustes como atualização nas políticas de ensino, pesquisa e extensão; introdução de metodologias inovadoras; redefinição de conceito e de política de inovação para cada curso da IES; novos papeis para a coordenação de cursos; criação de equipe multidisciplinar considerando a oferta de 20% em EAD; observância das novas contratações à luz da nova lei trabalhista; a necessária sustentação financeira para o atendimento dos novos instrumentos; infraestrutura tecnológica; bibliografia virtual a partir do NDE-Núcleo Docente Estruturante, etc. etc. E com grande destaque, o Critério Aditivo: atributo suplementar que integra o critério de análise para os conceitos 4 e 5 (CPC e IGC). A conclusão de tudo isto, é que inovar é um desafio que o meio universitário tem de resolver, para acompanhar as transformações que ocorrem no ambiente de produção de bens e serviços e que fazem parte de sua missão de ensinar, treinar e motivar o estudante a aprender.










Notícia publicada pelo site da ABMES, no dia 30 de outubro de 2018, no endereço eletrônico https://blog.abmes.org.br/?p=14605


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