MBAs atraem pessoas mais velhas a fim de recomeçar

Valor Econômico • 29 de outubro de 2018

Por Jonathan Moules

Harish Jani, 68, pretende se aposentar do "emprego dos sonhos" como diretor de finanças do Crystal Palace, um clube da principal liga do futebol inglês. Mas no ano passado ele convenceu o presidente do clube, Steve Parish, a lhe conceder um ano sabático para ele conquistar uma grande ambição: fazer um MBA em período integral.
"Amo literatura e gosto de política. Mas senti que, tendo passado a vida cuidando de finanças, seria melhor um curso em que pudesse usar minhas habilidades", diz ele. No mês passado, Jani começou seu curso na Cass Business School de Londres, onde ele tem quase o tripo da idade do estudante mais jovem. Mas ele não está sozinho na busca por um MBA em idade mais avançada.
A idade média dos alunos dos principais cursos de MBA de período integral que fazem parte do ranking de escolas globais de negócios do "Financial Times" é de 28 anos, levando em conta as duas décadas em que a lista foi compilada.
Mas dentro dessa média há algumas evidências empíricas de que o número de estudantes mais velhos vem crescendo, segundo aponta Andrew Crisp, cofundador da Carrington Crisp, uma entidade de pesquisas pedagógicas. Numa era de vidas profissionais mais longas, com a possibilidade de se exercer múltiplas carreiras, faz sentido retornar a um curso de pós-graduação em período integral, diz Crisp. "Se você espera trabalhar além dos 70, então aos 50 você tem outros 20 anos à sua frente. É tempo mais do que suficiente para começar algo."
Uma vez que os filhos crescem e se mudam de casa, os executivos passam a ter mais renda disponível para bancar um curso de MBA, acrescenta Crisp. A idade média dos alunos do curso de MBA de período integral da Cass Business School aumentou de 29 em 2008, quando o aluno mais velho tinha 39 anos, para 32 neste ano.
Dez anos atrás, havia uma diferença de 16 anos entre o aluno mais velho e o mais novo. Neste ano, a diferença está em 43 anos. Quando jovem, Jani preferiu trabalhar em fez de fazer a universidade, frequentando aulas noturnas para poder passar nos exames de contador diplomado. Mas suas duas filhas fizeram o ensino superior, o que o estimulou a conseguir um diploma.
"Há uma sensação de que você está perdendo alguma coisa", diz ele. "Aprender faz parte de vida." Jani espera concluir seu MBA antes de sua filha de 26 anos, que se mudou para a Austrália e foi aceita em um curso de MBA naquele país. "Ela vem me ajudando a escrever as redações", diz ele.
Quando ele retornar para o Crystal Palace, espera que seu MBA o ajude a conseguir funções não executivas em instituições de caridade e empresas iniciantes. Ele decidiu estudar na Cass em parte por causa da proximidade da escola com o centro tecnológico e distrito financeiro de Londres, e pelas suas ligações com a comunidade empresarial.
Matthew Green trabalhou 34 anos como consultor, ajudando empresas multinacionais a melhorar suas comunicações internas e estratégias externas de marketing. Mas enquanto se preparava para fazer 50 anos, ele decidiu se "presentear" com um MBA na Henley Business School. "Foi um presente de aniversário que dei a mim mesmo", diz. Seu grupo incluía um veterano especializado na reprodução de coalas, um diretor da Budweiser e um minerador de diamantes.
Green, que se formou inicialmente em design gráfico em 1981, era "apenas um garoto da escola de artes". Ele diz que a diversidade da experiência em sala de aula enriqueceu os debates sobre estudos de casos, que são a parte central do método de ensino de MBA na Henley. A diferença de 24 anos de idade entre o aluno mais velho e o mais novo também contribuiu para a experiência de aprendizado. "Me senti como um estadista mais velho", lembra Green. "Eu aprendi muito mais rápido com pessoas que eram muito mais capazes academicamente do que eu. Outros no curso podiam pensar de primeira, mas não eram lutadores de rua como eu. Eles eram mais corporativos. Então eu acho que houve uma troca."
"Para muitos estudantes em estágio inicial de carreira, o foco é sempre no desenvolvimento profissional", diz Elena Beleska-Spasova, diretora dos programas de pós-graduação da Henley. "Aqueles que iniciam os estudos mais tarde na carreira sempre têm motivações diferentes, que podem incluir mais foco no desenvolvimento pessoal e também no desenvolvimento dos outros."
A faixa de idade dos alunos da Henley aumentou ligeiramente, com os participantes mais velhos tendo 45 anos na admissão deste ano. Os líderes do curso afirmam que valorizam as experiências diferentes que esses alunos mais velhos levam para as discussões em sala de aula. "Isso realmente beneficia os alunos, uma vez que eles podem aprender uns com os outros, não importando o estágio de suas carreiras em que eles se encontram", diz Beleska-Spasova.











Notícia publicada pelo site do Valor Econômico, às 05h00, no dia 29 de outubro de 2019, no endereço eletrônico https://www.valor.com.br/carreira/5955037/mbas-atraem-pessoas-mais-velhas-fim-de-recomecar


Restrito - Copyright © Edux Consultoria 2012 - Todos os direitos reservados