Vale a pena deixar de fazer faculdade?

G1 • 26 de outubro de 2018

Por Samy Dana

Bill Gates, fundador da Microsoft, Steve Jobs, da Apple, e Mark Zuckerberg, criador do Facebook, fora a carreira de bilionários, costumam ser apontados sempre que o assunto é o sucesso de pessoas que não terminaram o curso superior. Também são fáceis de encontrar na internet relatos com histórias de pessoas que decidiram abandonar a faculdade.

Mas será que o exemplo destes três gênios da tecnologia e alguns outros casos justifica a decisão de não completar o curso superior?

A lista de bilionários americanos da revista Forbes, publicada este mês, pode não ser a prova definitiva, mas dá uma pista. Entre os 400 americanos mais ricos, pelo menos metade possui curso superior, contra uma média de 30% da população com o diploma de uma faculdade.

O caso americano é especial devido aos altos custos. Estudar em uma das melhores universidades do país, como Stanford, Harvard ou Yale, custa em torno de US$ 70 mil anuais. Segundo dados do próprio governo americano, 44 milhões de estudantes estão endividados, com um débito médio de US$ 37 mil.

Estes números, somado aos casos dos bilionários sem diploma, reforça o discurso de que é melhor fazer um curso técnico, empreender ou se dedicar logo a uma profissão. Mas ignoram outros fatores importantes.

Por exemplo, entre os 11.745 americanos mais ricos ou poderosos 9 em cada 10 têm diploma universitário, informa o Censo do país. E se menos de 1% da população americana passou por uma das oito universidades prestigiadas universidades, a chamada Ivy League, seus ex-alunos hoje correspondem a 25% dos mais ricos.

E mesmo os casos dos bilionários sem diploma não depõem contra o ensino superior. Bill Gates já sabia programar um computador da General Electric e escreveu o primeiro programa aos 13 anos. Além disso, era filho de um advogado famoso e de uma diretora de banco.

O dinheiro e os contatos dos pais foram importantes para o jovem e genial estudante abandonar a faculdade de Harvard em prol dos programas de computadores. Mas pouca gente conta com esse apoio familiar e mesmo entre outros milionários nenhum foi capaz de repetir a façanha do segundo homem mais rico do mundo ao criar a Microsoft.

No caso do Brasil, ainda há um argumento forte a favor do diploma: enquanto empregos de nível médio pagam R$ 1 mil, os trabalhos que exigem curso superior pagam R$ 2,4 mil ou 140% a mais. A diferença salarial é a maior entre os 40 países pesquisados pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico).

Muito pode ser atribuído ao serviço público brasileiro, que oferece salários mais altos, mas na OCDE a diferença também é significativa, 50% a mais nos países mais ricos e 100% a mais na América Latina. No Brasil, o desemprego entre pessoas com curso superior ser de 6% contra 12% da taxa geral e 13% do ensino médio.

Não quer dizer que um diploma universitário é a solução para todo mundo, mas, na média, oferece uma maior renda e conforto financeiro.

De todo modo, com ou sem ensino superior, o ideal é estudar para uma profissão, não um curso.















Notícia publicada pelo site do G1, às 07h00, no dia 26 de outubro de 2018, no endereço eletrônico https://g1.globo.com/economia/educacao-financeira/blog/samy-dana/post/2018/10/26/vale-a-pena-deixar-de-fazer-faculdade.ghtml


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