Maior interesse por futurismo faz surgir novos cursos

Valor Econômico • 02 de agosto de 2018

Por Adriana Fonseca

O mercado de trabalho para quem quer trabalhar com futurismo está crescendo e tem ficado melhor. A opinião é da mais antiga futurista brasileira, Rosa Alegria, que fez o Master of Science in Foresight, da Universidade de Houston, no começo dos anos 2000. Antes disso, Rosa trabalhava como executiva de comunicação em grandes empresas e, aos 40 anos, decidiu que queria fazer algo diferente. Tomou contato com a área de estudos do futuro e, depois de estudar nos Estados Unidos, passou a trabalhar com isso no Brasil.

Ela é uma das fundadoras do NEF (Núcleo de Estudos do Futuro) da PUC-SP e hoje atua como palestrante, consultora e professora. "Vejo maior interesse no assunto porque as mudanças que vêm ocorrendo são rápidas e trazem incerteza e dificuldade de planejar o futuro", diz. Rosa afirma que as empresas têm chamado futuristas para trabalhos pontuais, mas ainda não mudaram a gestão para levar em conta uma forma estruturada de pensar o futuro. "Nunca se trabalhou tanto no curto prazo", enfatiza.

Para quem se interessa pela área, Rosa alerta que não há cursos em profundidade no Brasil, apenas programas introdutórios. Ela mesma ministra um curso intensivo de dois dias chamado "Futurismo Aplicado". O último aconteceu em junho em São Paulo. "É uma introdução ao tema, que faz os alunos saírem da caixa, reorientarem o olhar e entenderem o que é inovação. Se, a partir daí, a pessoa quiser se aprofundar, precisa ir para o exterior."

Há mais programas que introduzem o tema no Brasil. Um deles se chama "Friends of Tomorrow", ministrado pela Perestroika, e outro tem o longo nome "O mundo mudou. Você vai ficar de fora? Futurismo, Inovação, Tecnologia e Disrupção", ministrado por Daniela Klaiman, formada em futurismo e empreendedorismo pelo TIP - Transdisciplinary Innovation Program, da Universidade de Jerusalém.

A W Future School, de Jaqueline Weigel, também oferece alguns cursos de futurismo. Jaqueline é mais uma profissional que foi para o exterior se especializar. Depois de uma temporada na Singularity University, que trata de estudos do futuro com foco em tecnologia, ela fez um curso na Universidade de Turku, na Finlândia, que tem uma visão multidisciplinar. "Não adianta ver apenas a tecnologia, pois a discussão é maior, envolvemudanças na sociedade e nos negócios", diz Jaqueline. "O estudo do futuro tem discussões amplas, incluindo as tecnológicas, mas não só, e dá um método para o executivo agir de fato hoje na empresa."

No exterior há mais algumas opções para se aprofundar em estudos do futuro. Além do mestrado da Universidade de Houston, dos cursos da Universidade de Turku, na Finlândia, e da Universidade de Jerusalém, Rosa cita como referência na área o Institute for the Future, na Califórnia, a Universidade de Tamkang, em Taiwan, e a Universidade Externado, na Colômbia. "Todas essas escolas têm uma visão holística sobre o futuro e não tratam somente de tecnologia", diz Rosa.

Globalmente, um dos futuristas mais reconhecidos é Gerd Leonhard. Nascido na Alemanha, atualmente ele mora na Suíça e é dono da The Futures Agency, que emprega cerca de 40 pessoas e atende clientes tão diversos quanto Mastercard, Unilever, WWF e Google.

A trajetória de Leonhard é um pouco diferente. Formado em teologia e música, ele trabalhou como músico profissional - guitarrista, compositor e produtor - por 12 anos, até criar uma startup no setor de entretenimento na década de 90, começo da era da internet. "Nessa experiência tive meus primeiros insights de tecnologia disruptiva, que me levaram a escrever meu primeiro livro", diz. A obra a que se refere é "O Futuro da Música", publicada em 2005 e que deu início à carreira dele como futurista. Hoje, Leonhard viaja o mundo fazendo palestras que abordam perspectivas de futuro em áreas como sociedade, negócios, mídia, tecnologia e comunicações.

Apesar de parecer promissora, a carreira é desafiadora. "É uma profissão difícil", diz Peter Bishop, coordenador do Master of Science in Foresight, da Universidade de Houston. "Como eu digo para os meus alunos, é uma profissão arriscada, onde é difícil alcançar uma posição de destaque."


Notícia publicada pelo Valor Econômico, às 05h00, no dia 02 de agosto de 2018, no endereçco eletrônico https://www.valor.com.br/carreira/5705361/maior-interesse-por-futurismo-faz-surgir-novos-cursos


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