Público mais velho do ensino a distância quer autonomia sem perder o apoio

Folha de S.Paulo • 26 de julho de 2018

Estudantes são atraídos pela flexibilidade dos cursos, mas exigem contato com professor

Por: Flávia Mantovani

A designer Izabelle Arruda, 41, decidiu mudar de carreira e estudar pedagogia. Mãe de quatro crianças, ela leva uma rotina que não permitiria frequentar uma universidade. Optou, então, pela graduação a distância. “Para mim, só é viável estudar dessa forma. Ou eu adiava a empreitada por uns bons anos ou encarava agora como fosse possível”, diz.

A história de Izabelle é comum na educação a distância. Apesar de a idade média dos alunos estar caindo, estudo deste ano da ABMES (Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior) sugere que o público mais velho ainda predomina nessa modalidade de educação: 38% dos alunos têm de 31 a 40 anos e 29% têm acima de 40.

A maioria é de mulheres (62%), pessoas casadas (62%) e que trabalham (82%). Já no ensino presencial apenas 16% têm mais de 40 anos, segundo o estudo.

Acostumada a outro tipo de aula em sua primeira faculdade, Izabelle teve que se adaptar. Ela estranhou a falta de contato humano.

“Têm lacunas que o ensino a distância não consegue preencher. Fica faltando aquele contato mais próximo com o professor, com outros alunos. Não tenho a mínima ideia de quem são meus colegas. A gente conversa no fórum, mas não acho que tenha a mesma qualidade que uma discussão presencial”, afirma.

Por outro lado, ela aponta como vantagens a flexibilidade e a autonomia. “Posso assistir à aula às 22h, de madrugada, às 6h da manhã. E faço o cursodo meu jeito, me aprofundo no que quero”, diz.

Pessoas que buscam uma segunda carreira e aquelas que não fizeram universidade na juventude estão entre as que tradicionalmente buscam a flexibilidade da graduação a distância, afirma Celso Niskier, vice-presidente da ABMES. “Esses dois públicos são naturalmente mais velhos. Muitos trabalham e têm filhos”, diz.

Para alguns desses alunos, o menor traquejo com a tecnologia pode ser um desafio. Segundo Niskier, para sanar o problema, as instituições oferecem apoio presencial com tutores e palestras que explicam a metodologia.

“Muitas aulas já ensinam também administração do tempo, para ajudar o aluno a ter disciplina e diminuir o risco de evasão”, diz Niskier.

A professora particular Luzia Athayde, 56, que não é fã de computadores e celulares, recorreu à ajuda presencial para aprender a usar a plataforma de EaD e tirar dúvidas sobre o conteúdo de seu curso de pedagogia.

“Me enrolei com esse jeito de estudar pelo computador. Mando perguntas por mensagem também, mas prefiro perturbar o pessoal pessoalmente. Nada como o olho no olho”, diz ela, que costumava ir ao polo duas vezes por semana e agora já consegue estudar melhor sozinha.

Para Ivete Palange, conselheira da Abed (Associação Brasileira de Educação a Distância), as dificuldades com a tecnologia, quando existem, são “absolutamente superáveis”. “Tem um período de adaptação, mas logo o aluno deslancha”, afirma.

Segundo ela, esse problema está cada vez menos frequente, já que a familiaridade geral com a internet é maior do que no passado.

“E hoje as plataformas de EaD são muito intuitivas. Quando comecei a trabalhar na área, no ano 2000, existia um número muito restrito de plataformas. Isso mudou.”








Notícia publicada pelo site Folha de S. Paulo, às 02h00, no dia 26 de julho de 2018, no endereço eletrônico https://www1.folha.uol.com.br/educacao/2018/07/publico-mais-velho-do-ensino-a-distancia-quer-autonomia-sem-perder-o-apoio.shtml


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