Inadimplência do ensino superior privado supera a de pessoas físicas

. • 20 de julho de 2018

Instituições de pequeno porte são as que registraram índices mais altos de atrasos nas mensalidade

Por: Letycia Cardoso



Estudante de Jornalismo, ha dois meses Cynthia Maximiano nao consegue pagar
mensalidade da faculdade - Emily Almeida / Agência O Globo

A inadimplência do ensino superior privado no Brasil superou a de pessoas físicas, medida pelo Banco Central (BC), no ano passado. Enquanto nos demais setores da economia a taxa foi de 5,25%, nas faculdades bateu 8,93%. Na comparação com 2016, as instituições de pequeno porte foram as que registraram os índices mais altos para atrasos de pagamento superiores a 90 dias: 12,7%, bem acima da universidades de médio porte (6,5%) e das de grande porte (7,2%), segundo um levantamento feito pelo Sindicato das Mantenedoras de Ensino Superior (Semesp).

Para ajudar os estudantes a driblar as dificuldades financeiras que surgem no caminho até o diploma, o GLOBO elaborou um guia com dicas sobre como obter desconto na mensalidade ou se cadastrar para obter uma bolsa de estudos. Além disso, detalha os direitos dos alunos e as regras do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies).

As projeções para 2018 — feitas pela Assessoria Econômica do Semesp, com base em indicadores de atividade econômica, número de contratos do Fies e entrevistas com mantenedores de instituições de ensino superior — também não são positivas: apontam para o aumento da inadimplência, que deve fechar o ano em torno de 9,05%.

— A razão seria o prolongamento da crise econômica, agravada pelo cenário político totalmente indefinido, além da redução na oferta de crédito próprio das instituições aos alunos — disse Rodrigo Capelato, diretor executivo do Semesp.

Para não comprometer o orçamento, a estudante de Publicidade Yasmin Joviano, de 23 anos, teve que mudar de universidade no meio do curso, já que a mensalidade aumentava a cada período, chegando a R$ 2 mil. Com a transferência, ela ganhou 50% de desconto. Hoje, tem a despesa mensal de R$ 800, que paga com a ajuda da mãe, babá, e do pai, carregador de alimentos.

A mesma solução não foi suficiente para Cynthia Maximiano, de 21 anos. Mesmo sendo bolsista (com 50% de abatimento), ela não conseguiu manter em dia a mensalidade do curso de Jornalismo, que paga com a renda de um estágio e a ajuda da mãe, aposentada. Por causa da dívida relativa aos dois últimos meses, ela não consegue a renovação da matrícula para o próximo semestre:

— Quando o financeiro da faculdade era da própria instituição, era possível pagar o valor original, mesmo após o vencimento. Hoje, o financeiro é terceirizado, e não aceitam negociação.


Devido ao crédito do Fies, a estudante de Administração Stephanie Prazeres, de 28 anos, deveria pagar R$ 100 mensais, em vez de R$ 800. Mas, depois de ficar desempregada, ela parou de pagar e já acumula uma dívida de R$ 1.200.

Planejamento é necessário para a saúde financeira.

Antes de começar a faculdade em uma instituição privada, é preciso analisar quanto esse investimento custará e qual a capacidade financeira do aluno ou da família que irá arcar com essa despesa. De acordo com o educador financeiro da DSOP Adenias Gonçalves, o aluno deve optar pelas alternativas mais econômicas no seu dia-a-dia, incluindo morar com amigos ou em república; usar transporte público ou andar de bicicleta; comer em lanchonetes ou levar marmita. Além disso, deve controlar os gastos extras, como baladas.

_Às vezes, a universidade é vista como status. Muitos estudantes se endividam porque começam a usar créditos do cartão e cheque especial como uma extensão do salário, quando eles não são. - opinou o educador.

Gonçalves ainda aconselha, antes de renegociar uma dívida, organizar as finanças para descobrir a real capacidade de pagamento e, assim, fazer um acordo que possa honrar. Entretanto, a inadimplência não é só provocada por descontrole financeiro. Muitas vezes, é decorrente da perda da fonte de renda. Para tais situações, existe o seguro educacional, que cobre o pagamento dos estudos até o fim do curso, em caso de morte ou acidentes que provoquem invalidez do responsável pelas mensalidades, ou por alguns meses, em caso de demissão. O contrato pode ser feito pela faculdade ou pelo próprio estudante.
_ A procura pelos seguros educacionais vem crescendo com a crise. Muitas instituições embutem esse custo em suas mensalidades, que costuma ser cerca de 1% a 2% do valor.- contou José Varanda, professor da Escola Nacional de Seguros.











Notícia publicada pelo site O Globo, às 09h38, no dia 15 de julho de 2018, no endereçco eletrônico https://oglobo.globo.com/economia/inadimplencia-do-ensino-superior-privado-supera-de-pessoas-fisicas-22887888?utm_source=Twitter&utm_medium=Social&utm_campaign=compartilhar


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