Diretor do Google for Education comenta uso da tecnologia em sala de aula

. • 19 de julho de 2018

Em entrevista, Alexandre Campos observa que o modelo tradicional de educação não comporta mais as exigências do mercado de trabalho. Para mudar, é preciso que a formação dos alunos seja permeada pelas mais modernas inovações

Por: Felipe de Oliveira Moura


Alexandre Campos acredita que há uma relação direta entre tecnologias em sala e melhora no desempenho dos alunos
(Imagem: Correio Braziliense)

“Você é o líder da sua carreira. Não é a empresa onde você trabalha. O profissional deve tomar decisões e escolher caminhos que vão fazê-lo feliz trabalhando com o que gosta. No entanto, é preciso estar pronto para as mudanças que o mercado de trabalho exige. Atualizar-se é fundamental.” A análise é de Alexandre Campos, diretor do Google for Education, Brasil plataforma de educação tecnológica que visa resolver problemas dentro e fora de sala de aula. O diretor esteve em Brasília em 6 de julho para ministrar a palestra “Inovação e Novos Negócios”, durante a Olimpíada do Conhecimento, evento organizado pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e pelo Serviço Social da Indústria (Sesi), que mostrou ao público inovações que prometem melhorar a qualidade de vida nas cidades e revolucionar a educação. Durante encontro com a plateia, Alexandre falou sobre a importância de criar condições para que os jovens brasileiros adquiram as habilidades digitais que serão exigidas no mercado de trabalho, cada vez mais tecnológico.

Cientista da computação pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e pós-graduado em tecnologias avançadas de software pela Universidade da Califórnia Irvine, ele acredita que os jovens devem ser incentivados a pensar em opções de carreira que vão além das tradicionais medicina, engenharia e direito. O caminho para isso envolve desenvolver as habilidades que os novos tempos exigem. “É importante saber se comunicar em público, mas sobretudo, ter um bom domínio da comunicação digital e trabalhar em equipe, porque ninguém constrói um projeto sozinho em uma empresa que trabalha sob cooperação”, aponta Alexandre, doutor em comunicação e semiótica pela PUC-SP. Professor de graduação e pós-graduação da instituição por mais de 12 anos, ele conversou com o Correio sobre o papel da tecnologia e da inovação na educação.

Como a tecnologia pode melhorar o desempenho dos alunos?
Quando o professor perde o medo de usar os dispositivos tecnológicos e trabalha em equipe com os estudantes, percebo que o resultado é muito satisfatório porque isso começa a fomentar uma cultura de inovação. Isso passa por um processo de erros e acertos e, talvez, a maioria dos docentes têm muita dificuldade em lidar com essas falhas porque os veem como fracasso, mas, na verdade, são etapas vencidas para resolver um problema.

Há relação direta entre o uso de recursos tecnológicos e a melhora do desempenho dos alunos?
Vemos isso claramente em diversas disciplinas. Inclusive, na relação professor-aluno. Quando utilizam o Google Docs — pacote de aplicativos do Google, que conta com um editor de textos que pode ser acessado e compartilhado pela web —, por exemplo, os estudantes podem ter um feedback muito mais rápido de um exercício de redação que o educador tenha passado. Antes, isso levava um tempo bem maior.

Quais são as tendências tecnológicas na educação?
Experiências com realidade virtual com o Google Expeditions (aplicativo educacional imersivo), por exemplo, são usadas e tendem a crescer muito. Graças a isso, os alunos passam a ter um papel muito mais de protagonista e deixam para o passado o modelo passivo, de apenas escutar o professor em sala de aula.

Os alunos brasileiros se sentem mais confortáveis em registrar, criar projetos e responder avaliações em plataformas digitais?
Totalmente, sentem-se motivados e confortáveis. O nosso grande desafio é que eles ajudem os professores e mestres a se sentirem confortáveis nesse ambiente também. É uma colaboração que tem por consequência a melhoria da turma inteira. Alunos ajudando colegas, estudantes ajudando educadores e, assim, por diante.

Como é a realidade das escolas brasileiras?
Estamos no começo desse processo de mudança. É fundamental que a educação pública priorize o investimento em internet disponível nos colégios. O setor privado correu atrás dessa melhora em estrutura, e as instituições públicas devem fazer o mesmo. Não podemos deixar os jovens brasileiros de fora das melhores oportunidades de emprego, que exigem bom domínio da tecnologia.

Como funciona o aprendizado personalizado do Google for Education?
O professor pode personalizar as atividades para diferentes grupos em sala de aula, a partir do nível de conhecimento de cada aluno, algo que era muito difícil, até então. Dessa forma, ele dispara tarefas com três graus de dificuldade em sala, sem os estudantes saberem. Gerenciar isso é muito simples. Se um grupo aprendeu o que é necessário e consegue caminhar sozinho, o educador pode dedicar mais do tempo na turma para ajudar aqueles que precisam atingir o nível do grupo mais avançado, de modo que todos cheguem a um nível mínimo comum.

O modelo de educação tradicional de ensino será afetado em qual grau pelas tecnologias?
Os estudantes de hoje não têm a paciência que a minha geração tinha para ficar ouvindo uma aula expositiva de duas horas. A nova geração cresceu em uma sociedade em rede. As crianças de hoje em dia nascem e, em uma mão, estão com uma mamadeira e, na outra, com o celular.O professor tem de saber instigar os alunos para que eles sejam protagonistas e coloquem a mão na massa. Os espaços makers (salas que estimulam alunos a trabalharem em grupo e a explorarem o máximo da tecnologia em prol do aprendizado) são um sucesso porque conseguem criar um ambiente interativo. Utilizar a tecnologia de maneira prática no aprendizado deve ser algo transportado para todas as disciplinas, não só para esses ambientes isolados.

Como é o processo para uma instituição que deseja modernizar a forma de ensino por meio das ferramentas Google?
A plataforma G-Suit é gratuita para qualquer escola ou universidade, mas nós recomendamos fortemente que os gestores e responsáveis pela administração da instituição contratem uma assessoria para ajudar os professores nessa mudança de cultura. É muito mais do que aprender a usar a tecnologia, porque os educadores usam na vida pessoal. A questão é trazer isso para o contexto da sala de aula.

Saiba mais

Para fazer parte do G-Suit for Education, qualquer educador pode preencher uma ficha cadastral no endereço edu.google.com/learn-how/tools-referral e aguardar a análise do Google, que consiste basicamente em verificar se é uma instituição que está fazendo o requerimento. Acesse o Google Sala de Aula em classroom.google.com/h.

*Estagiário sob a supervisão da subeditora Ana Paula Lisboa




Notícia publicada pelo site do Correio Braziliense, às 16h59, no dia 15 de julho de 2018, no endereço eletrônico https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/eu-estudante/tf_carreira/2018/07/15/tf_carreira_interna,695113/diretor-do-google-for-education-comenta-uso-da-tecnologia-em-sala-de-a.shtml


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