Edtechs entram no radar de investidores

Valor Econômico • 29 de maio de 2018

O número é expressivo. Há no país, segundo a Associação Brasileira de Startups (ABStartups), mais de 350 edtechs - startups que oferecem aplicativos e ferramentas para melhorar a aprendizagem. Com o propósito de resolver desafios nos segmentos de educação básica, ensino superior, treinamento corporativo, cursos livres e de idiomas, essas empresas vêm se desenvolvendo com capital próprio e investimentos-anjo. Mas, desde o ano passado, entraram no radar dos fundos de venture capital e de empresas interessadas em incorporar novas soluções.


(Foto: Valor Econômico)
Iásbeck, CEO da Qranio: avanço a partir de parceria com grandes empresas



Segundo Daniel Machado, diretor geral do comitê de edtechs da ABStartups, esse movimento é resultado da própria evolução dos projetos nos últimos anos. "Hoje, existem no mercado bons ativos para receber aportes de fundos ou serem adquiridos. Com o fim da recessão, a tendência é de aumento de investimentos", diz ele.

Para Júnior Borneli, co-fundador da StartSe, plataforma que conecta os vários agentes do ecossistema das startups, o interesse também se deve a outra tendência: cada vez mais as corporações precisam de soluções tecnológicas para capacitar funcionários e, por meio de programas de inovação aberta, aceleram as startups e podem adquirir participação no
negócio ou contratar seus serviços.

"Muitas vezes, o grande estímulo é a edtech conseguir emitir nota fiscal, contar com um grande cliente e ter a chance de aperfeiçoar seus serviços", diz Borneli. Em meados deste mês, a StartSe realizou a Edtech Conference, que atraiu cerca de 1,5 mil pessoas, entre educadores, gestores de escolas e universidades, estudantes, empreendedores e executivos.

A Qranio vem avançando a partir de parcerias com grandes empresas. A empresa foi criada em 2011 com o lançamento de um software que utiliza o conceito de game para estimular o aprendizado. Disponível ao público em geral, o aplicativo funciona no formato de quiz, com perguntas sobre diversas áreas para que os jogadores testem seu conhecimento e resgatem prêmios conforme os acertos. Em sua fase inicial, a Qranio passou pela Wayra, aceleradora de startups do Grupo Telefônica.

Segundo Samir Iásbeck, CEO da Qranio, no início a empresa enfrentou problemas com o modelo da plataforma - de acesso gratuito e algumas etapas pagas, produzia receita insuficiente e levava a prejuízos de R$ 250 mil mensais. Depois de ajustes na monetização e do desenvolvimento de uma nova ferramenta de educação corporativa, a edtech decolou. Entre 2014 e 2015, ao participar do programa de inovação aberta do Bradesco, o InovaBra, a edtech conseguiu testar e aperfeiçoar a ferramenta Qranio Mobile Learning, que usa a gamificação no treinamento de colaboradores. "O Bradesco segue como nosso maior cliente: 125 mil funcionários são treinados com o nosso aplicativo", diz Iásbeck. A Qranio fornece a solução, customizável, para empresas como o Grupo Pão de Açúcar (GPA) e a Lilly.

A trajetória da edtech AppProva, plataforma de testes e avaliações para alunos, escolas e instituições de ensino superior, mudou em 2017, quando foi adquirida pela Somos Educação, que por sua vez foi comprada pela Kroton, gigante do setor de ensino. A AppProva começou como fornecedora e, mas a Somos Educação considerou a solução relevante para ficar a cargo de uma empresa terceirizada.

"Para nós, a incorporação foi positiva, pois nossa proposta é contemplar o máximo de alunos", diz João Guilherme Gallo, diretor para os setores público e social do AppProva. Conforme Gallo, a editech surgiu em 2012 com capital dos sócios e passou por várias etapas de investimentos. Os aportes de investidores-anjo, dos programas StartUp Brasil e Google Launchpad e do fundo e.Bricks superaram R$ 5 milhões.

Já o Descomplica, plataforma de aulas on-line preparatórias para vestibulares, Enem, exame da OAB, concursos públicos, além de cursos de pós-graduação, recebeu em março um aporte US$ 20 milhões, o maior do setor. "Vamos investir em tecnologia, novos produtos e na contratação de executivos e colaboradores qualificados", afirma Rafael Cunha, vicepresidente de educação do Descomplica.

Foi a sua quarta rodada de investimentos, liderada pelo fundo americano Invus Opportunities e que também contou com a participação dos fundos Amadeus Capital Partners, Valor Capital e Social Capital, que já haviam injetado dinheiro no negócio. As rodadas anteriores somaram US$ 13 milhões. O Descomplica nasceu em 2011 com capital próprio e investimento do Gávea Angels.

Outra edtech que despertou o interesse de um fundo de venture capital este ano foi a Agenda Edu, que oferece agenda digital e soluções de comunicação para escolas. Em janeiro, a plataforma recebeu R$ 3 milhões da Domo Invest, empresa de venture capital criada por dois ex-executivos do Buscapé. Com isso, a Agenda Edu pretende dobrar para 2 mil o número de instituições atendidas. Até receber os recursos da Domo, a edtech se desenvolveu com dinheiro dos sócios, apoios institucionais e premiações. "Recebemos, por
exemplo, R$ 40 mil da Fundação Lemann e R$ 100 mil do Prêmio Santander Universidades", diz Anderson Morais, CEO da Agenda Edu.













Notícia publicada pelo portal Valor Econômico, às 5h00, do dia 29/05/2018, no endereço eletrônico http://www.valor.com.br/empresas/5555661/edtechs-entram-no-radar-de-investidores


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