Orgulho e preconceito: cinco mitos sobre o a educação particular no Brasil

ABMES • 16 de maio de 2018

Devido a sua natureza lucrativa, existe uma falácia de que em instituições particulares a educação é de baixa qualidade. Sejamos claros e honestos: a educação privada aparece onde o setor público não é capaz de atender as necessidades da sociedade. Este é o caso do Brasil, onde 87,7% dos estudantes estão matriculados em IES particulares (dados do MEC 2017). De acordo com o Plano Nacional de Educação (PNE), aprovado pelo Congresso Nacional, até 2024 o Brasil deve atingir 30% do total de matrículas em IES. Hoje esse número é de apenas 15%. As necessidades reais da sociedade são muito maiores. Imagine se todas as instituições particulares fossem fechadas, o país teria um acesso muito limitado ao ensino superior – em poucos anos a economia brasileira encolheria para a república das bananas. Por isso, é justo dizer que o setor privado de ensino superior no Brasil é, de fato, um contribuinte muito importante para o plano nacional de educação e na solução dos problemas de inclusão social.

As instituições públicas, totalmente mantidas pelos contribuintes, estão tradicionalmente desempenhando o papel de uma locomotiva na ciência e pesquisa brasileiras. Do topo, a importância da educação profissional oferecida pelo setor privado é frequentemente subestimada, pois focam principalmente no ensino, e não na pesquisa. No entanto, com o tempo, muitas instituições particulares têm inovado e criado uma boa reputação, capaz de competir com o setor público em qualidade e destruir mitos, como:

Mito 1: o conhecimento obtido em IES particulares é pior do que nas públicas

O Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade) revela uma ampla gama de qualidade, tanto no setor particular quanto no público, com alguns indivíduos com fins lucrativos superando o setor público. Este teste é realizado em três etapas e calculado como uma pontuação média ponderada.

Em 2015, 26 áreas de avaliação foram representadas, incluindo 8.121 programas e 447.056 participantes. A grande variedade de desempenho dos estudantes em instituições públicas, de acordo com o teste ENADE, varia de 19,1 a 79,9 com mediana de 41,4, enquanto nas instituições privadas eles variam de 15,0 a 80,8, com a mesma mediana de 41,4.

Mito 2: programas oferecidos em IES particulares são piores do que em IES públicas

O Índice Geral de Avaliação de Instituições (IGC), de acordo com o Enade, mostra resultados ainda mais impressionantes em termos de melhorias de qualidade. Mensurado anualmente, os programas em instituições públicas permaneceram estáveis ​​durante o período de 4 anos (2012-2015), com um ranking de 87%. As instituições particulares, por outro lado, demonstram um crescimento crescente a cada ano, acumulando: 80% – 81% – 84% – 85%.

O resultado mostrou que houve maior desenvolvimento no setor privado, tendo em mente que a proporção de HIEs e excelência em programas ainda estão no setor público. De acordo com os dados de 2015 do Ministério da Educação (MEC), entre as 2.364 IES existentes no Brasil, 2.069 são privadas. Um número maior de estudantes (85%) está adotando os programas de excelência oferecidos por IES particulares, o que indica que o potencial dos programas de excelência é ainda melhor gasto no setor privado, mesmo com uma porcentagem menor de programas de excelência em geral. De fato, a probabilidade de obter o melhor programa em instituições públicas é ainda maior. O que indica que é uma competição saudável que leva a melhorias. É uma tendência muito otimista que demonstra que as IES particulares estão se tornando competitivas no nível da qualidade acadêmica e institucional, ajudando a aumentar o acesso à educação superior de qualidade.

Mito 3: bolsas de estudo para estudantes em IES particulares pesam muito mais nossos impostos da sociedade

O argumento de que as bolsas de estudo tiveram um impacto pesado na sociedade acabou não sendo mais do que um clichê polêmico: o custo da instituição federal de ensino superior é 89% maior do que o dos estudantes mantidos pelo Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), empréstimo do governo que precisa ser pago ao final dos estudos. Esse dado é resultado da pesquisa, analisando matrículas e custos, realizado pela empresa de pesquisa Educa Insights. [1]

Em 2015, o custo médio de um estudante em uma instituição federal foi de R$ 20.000. No mesmo período, o gasto do Fies com um aluno foi de aproximadamente R$ 10 mil por ano. Considerando o número de estudantes com empréstimo do Fies e o número de estudantes em instituições públicas, isso faz uma diferença de 89%. Assim, além de ampliar o acesso à educação para os pobres e ter um impacto maciço imediato sobre a economia nacional no Brasil, o Fies também é uma alternativa mais barata.

Nesse sentido, a Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES) se concentra estrategicamente em pressionar o governo a continuar investindo nos fundos de financiamento para alunos e encontrar mecanismos alternativos para futuros estudantes.

Mito 4: estudantes bolsistas não são capazes o suficiente para estudar em IES

Além do Fies, o Brasil conta com o Programa Universidade para Todos (ProUni), que oferece bolsas de estudo em IES particulares e cotas sociais e raciais, que permitem que jovens de comunidades carentes obtenham gratuitamente acesso ao ensino superior. Em 2016, um grupo de pesquisa do Prof. Wainer, da Universidade Estadual de Campinas, e do Prof. Melguizo, Universidade do Sul da Califórnia, analisou dados de mais de um milhão de universitários brasileiros que participaram do Enade entre 2012 e 2014. O estudo revelou o fato de que os detentores do ProUni são mais bem classificados no exame do que seus colegas de classe. Quanto às cotas sociais e raciais e aos estudantes do Fies, eles tinham as mesmas notas que os estudantes das instituições federais. [2]

Uma possível explicação para o alto desempenho dos bolsistas do ProUni, segundo os pesquisadores, é a alta exigência que o programa impõe aos alunos, desde o momento da seleção e durante todo o período de validade do programa.

O estudo também fez um corte considerando apenas os programas de excelência e instituições públicas com as maiores médias do Enade e concluiu que o desempenho dos estudantes com e sem cotas foi considerado equivalente.

Mito 5: os alunos de cota têm maior taxa de abandono

Pesquisa da Universidade Federal do Paraná (UFPR) sobre taxas de abandono escolar descobriu que, nos dois primeiros anos do programa, a taxa de abandono escolar de estudantes com cotas raciais é quase três vezes menor do que a taxa de desistência de estudantes não cotistas. [3] De acordo com a pesquisa, 11,6% dos não-cotistas desistiram da faculdade nos dois primeiros anos de escola, enquanto no mesmo período apenas 6% dos detentores de cotas sociais e 4% dos detentores de cotas raciais desistiram da faculdade.

A maioria desses estudantes só conseguiu entrar em uma universidade pública por causa do sistema de cotas. Eles não desistem tão facilmente porque antes do programa não tinham perspectiva de estudar.

Conclusões

Com relação a qualquer país que tenhamos escolhido falar, sempre irão existir reclamações sobre educação em geral, incluindo qualidade, subsídios e cotas. Porém, o trabalho de conscientização pública, bem como o acesso à educação, deve continuar a ser feito, especialmente pelas associações responsáveis pelo setor educacional, em qualquer nível. No Brasil, quem realiza esse trabalho representando o setor particular é a ABMES. Vivenciando o impacto direto da crise econômica, o setor de educação particular é o melhor e mais ativo parceiro do governo na busca de formas de proporcionar à sociedade oportunidades de acesso ao ensino superior e ao crescimento econômico sustentável – com orgulho e sem preconceitos.













Notícia publicada pelo portal ABMES, no dia 16/05/2018, no endereço eletrônico https://blog.abmes.org.br/?p=13949


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